Conheça nosso Guia de Montevidéu

Dicas de roteiros para 5 dias, experiência gastronômica, vida noturna e muito mais.

5 atrações gratuitas - e imperdíveis - em Montevidéu

Algumas sugestōes para curtir Montevidéu gastando pouco... ou nada!

Mirante Panorâmico

Montevidéu vista do alto

Bate e volta desde Montevidéu

Um passeio incrível na linda Piriápolis

Carmelo: Comer, Beber e Amar

Conheça os encantos dessa pequena cidade vizinha a Colonia del Sacramento

Desafio 7on7: Lojas

Quem lembra do Desafio 7on7 que apareceu aqui no blog? Bom, eu lembro e morro de vergonha toda vez que a memória dá pinta dizendo que não terminei o bendito.

Para quem não lembra, vou contar como funciona, na verdade a tag já é famosinha na internet, mas explico rapidamente a brincadeira: um grupo de 7 blogueiras se reunem para falar sobre um tema específico ilustrando com 7 fotografias e publicando todo dia 7 durante 7 meses.

Eu sei, é muito 7 numa frase só, mas é legal, vai! :)

Antes de passar ao tema, explico que nosso grupo foi desfalcado logo no início, deixando minha teimosia cabalística em crise.

Mantive o sete no nome, não soube desapegar e passar para o seis, desculpa. Mas me contive no limite das 6 fotos até que outra pessoa saiu da brincadeira (gente, why?) e agora quase 2 anos depois tô bem confusa sobre como pegar o gancho de volta hehe. 

Vamos combinar que serão 6 fotos, tá? 5 é pouco e eu adoro falar exibir o que essa Montevidéu tem de bom.

Os posts que fiquei devendo são sobre arquitetura (aguardem fachadas lindas por aqui) e lojas.

O bacana do desafio é trazer dados corriqueiros, coisas não exatamente turísticas, mas que fazem parte da nossa rotina vivendo nessas cidades (cada blogueira mostrava uma cidade diferente no mundo).

É um exercício pensar em tópicos simples do dia a dia, sabe? Adoro, mas muitas vezes fico sem saber como encaixar na pauta do blog que tem uma demanda grande por temas mais práticos e úteis (aka como chegar, cambio, o que fazer, clima, etc e tal).

Na rotina normal que anda sempre atrasada, dificilmente eu pararia para escrever sobre as placas, como rolou no terceiro mês do desafio, ou falaria sobre essas lojas de hoje. E foi por essa liberdade que voltei para terminar a brincadeira.

Selecionei seis lojas na capital que eu gosto de ver e a surpresa foi trazer uma maioria de lugares fofos- do lar - girlie-aos 30.

Não resisti e decidi dividir assim mesmo, vai que você do outro lado também está nessa onda, né? 


1- La Companía del Oriente

Apenas não consigo passar pela Peatonal Sarandí (aquela mesmo do Portal da Cidadela que to-do turista invariavelmente atravessará em algum momento da viagem) e não entrar para dar uma olhadinha. 

Lojas e compras em Montevidéu

A loja tem um ar meio hiponga, rola um incenso, umas músicas esquisitas e apresenta uma mistureba de artigos: de batas indianas e tapetes a louças e bijous.

Por conta desse mundo de coisas, as vezes dá muita preguiça garimpar as estantes, mas na maioria das vezes vale super a pena, eu guardo pratos lindos e bugingangas fofíssimas adquiridas por lá.

Compras cozinha em Montevidéu

Dicas compras em Montevidéu

Dicas compras no Uruguai

Onde encontrar: Peatonal Sarandí 671 e Punta Carretas Shopping (tem outras na cidade, mas acho essas duas as melhores).


2- Bricolage

Rainhas do #diy amam! Fica no Montevideo Shopping, o que facilita imensamente a vida de quem precisa estacionar (sem contar que ficava a 5 minutos de casa).

Foi no Uruguai que eu deixei de ser inútil e terceirizar tudo a minha volta, demorei, mas aprendi que se alguma coisa quebra, primeiro a gente tenta consertar por conta, se for impossível, contrata alguém. 

E o dinheiro que sobra a gente gasta em vinhos ou viagens, por exemplo! #EconomiaDoméstica :)

Então nos casos possíveis ou quando eu inventava arte de mudar a cor da parede ou de algum móvel, era para a Bricolage que corria para comprar as ferramentas e materiais necessários.

Dicas morar em Montevideo

Dicas morar em Montevidéu

Tem de tudo: cortes de madeira, coisas para organizar a casa, tinta, luminárias, acessórios para banheiro, coisas de limpeza e até alguns moveis e objetos de decoração.


3- Tiendas Montevideo

Baratex - baratex. Pipoca em toda Montevidéu, inclusive nos principais shoppings.

Dicas compras no Uruguai

Faz a linha cama, mesa e banho. Quando chega o frio é o lugar bom para comprar pantufas. Fico sempre de olho porque do nada aparecem coisas bonitinhas para festa, tipo guardanapos temáticos, toalhas, etc.


4- Pórtico

A Pórtico já faz mais a prima rhyca da Tiendas Montevideo. Fica no primeiro piso do Punta Carretas Shopping.

Vale para objetos e produtos cama, mesa e banho com qualidade um pouco melhor para adornar a casa. Dá para encontrar peças de decoração e festa com preço mais amigo também.

Compras para a casa Montevideu

Compras decoração em Montevideo

5- Géant da Giannastasio

É um hipermercado. Enorme. Dá para passar a vida lá dentro. Vende moveis, eletrodomésticos, além de comidas, obviamente.

De novo, amo a parte de coisinhas-bonitinhas-para-a-casa. Compete com a Cia del Oriente no quesito garimpar pratos bonitos (ok que tem dias que vou e não acho nada legal, mas nos dias que tem o coração chega palpita de emoção hehe).

Tem muito frufru, mas também muita utilidade para o lar de verdade, é uma opção interessante para os recém-chegados, lá a gente encontra uma variedade de utensílios e preços, tem muitas panelas, assadeiras, talheres, copos, etc.

Compras cozinha Montevideo

Dicas de compras em Montevideu

Dicas de compras em Montevideu


6- Mis Petates

Confesso: nunca comprei nada, mas amo olhar hehe. Tem ótimas opções para presentes criativos. Gosto do nome e das lojas pequeninas, a disposição dos artigos é perfeita para ver tudo rápido e sem muito esforço. 

Dicas de compras em Montevideu

Dicas de compras em Montevideu

Onde encontrar: Carrasco, Montevideo Shopping e Pocitos (mapa).


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Pronto, desafio cumprido! Espero que tenham gostado e que encontrem muitos achadinhos por aí.

Quem quiser ver os outros posts dessa série e conhecer outros pontos corriqueiros da cidade, abaixo deixo os links:




Abraço e até o próximo tema! :)

Roteiro em Montevidéu: Tour de Comidas Locais

Há uns meses estive em Cartagena e fiquei empolgada com um tour bem comum que ofereciam por lá: o street food tour.

Tratava-se de um passeio pelas ruas da cidade acompanhado de um guia local que ia apresentando as iguarias típicas, aquelas comidinhas simples de todo dia mesmo, nada de raio gourmetizador dando pinta, a graça da proposta era provar produtos do cotidiano deles que são vendidos sem muita cerimônia nas ruas, basicamente nos tabuleiros, carrinhos e postos de vendedores ambulantes, como frutas, sucos, pães, frituras, doces, etc. 

Achei genial a ideia, pois acredito que a comida diz muito sobre os lugares.

Ok Jamile, bonita história, mas o que isso tem a ver com o Uruguai? Tem que eu comecei a pensar porque não rolava algo parecido no paisito e fiquei imaginando quais petiscos entrariam se houvesse uma versão charrúa da coisa.


E aí, amigos, da escolha imaginária das comidas já passei a criar um circuito turístico bem guloso e gostoso em Montevidéu. 

Um street food tour adaptado à realidade uruguaia que não pulula com tabuleiros e vendedores ambulantes nas esquinas, vale dizer, mas tem lá seus sabores corriqueiros e tradicionais que encontramos vez ou outra nas ruas e mais frequentemente nas padarias, pizzarias e parrillas de bairro.

Nosso passeio começa na Ciudad Vieja - nesse ponto você pode adaptar e incluir outras paradas em museus, praças, igrejas e tal - e segue rumo aos dois principais mercados da capital: Mercado del Puerto e Mercado Agrícola.

Preparados? Simbora! :)

  • Primeira parada: Padaria 25 de Mayo (Calle 25 de Mayo, num 655, Ciudad Vieja)
O que pedir? Masitas, yo-yo, ricardito, margaritas, bizcochos, empanadas e tudo mais que te apetecer dessa vitrine maravilhosa.

Os bizcochos lembram croissants e encontramos na versão doce e salgada. Peça as duas. Os recheios mais comuns são de queijo e presunto ou doce de leite e marmelo (chamado de membrillo).



  • Segunda parada: Mercado del Puerto (Rambla 25 de Agosto, Ciudad Vieja)
O que pedir? A ideia não é parar para almoçar e sim provar diferentes opções ao longo do dia, logo a sugestão é sentar no balcão da parrilla que você achar mais bonita e pedir uma entrada e um acompanhamento clássico: boniato glaseado e chorizos


E para o momento #bonsdrinks vá com a bebida típica do mercado: medio y medio. Ou aproveite para pedir uma taça de vinho tannat, a uva mais premiada dessa região.

O boniato é a batata doce laranja super comum no Uruguai (aquela do Brasil com a casca clara, por exemplo, nunca vi por essas bandas), é uma delícia essa preparação glaseada, docinha na medida certa. 

E o chorizo é como a linguiça/chouriça e geralmente é servido já cortado em rodelas. É a primeira coisa da parrilla que fica pronta e nos churrascos uruguaios funciona como entrada junto com umas galletas, pão ou puro mesmo.

Se você estiver preparado para um nível hard de degustação, experimente a morcilla, aquele chorizo preto feito - dentre outros ingredientes - com sangue coagulado. Confesso que eu demorei a provar, achava bizarro. Tem a versão doce e a tradicional, recomendaria a tradicional, a doce acho que só nascendo uruguaio para descer redondo hehe.

E o medio y medio é uma mistura de vinho branco e espumante. Se gostar, aproveite para garantir já uma garrafa nas lojinhas do mercado.


  • Terceira parada: Mercado Agrícola (Calle José L. Terra, num 2220)
A melhor forma para ir de um mercado a outro é de táxi ou uber, a corrida não custará caro, é um trajeto de apenas 4km. Dá para ir de ônibus, mas por questão de segurança não recomendo que fiquem flanando procurando o ponto nem esperando ônibus nas imediações do mercado.

Se o orçamento estiver apertado, diria que saiam do mercado e andem até a 18 de Julio pelas peatonales (ruas de pedestres) para pegar o ônibus nessa avenida que é mais movimentada, nas quebradas ali das ruazinhas da Ciudad Vieja perto do Mercado do Porto não é bom negócio ficar perdido nem esperando.

Agora voltando às comidas: o que pedir? O céu - aka sua pança - é o limite. 

O mercado apesar de não ser enorme tem uma variedade grande, a estrutura é excelente, tem corredores amplos, é fechado, climatizado e tudo limpinho.

Meu lugar preferido para fazer a feira, então espere encontrar frutas, verduras, carnes, produtos in natura e lugares para sentar e comer.

Eu recomendaria comprar frutas, não que sejam exóticas ou que não encontremos no Brasil, mas as laranjas, os pêssegos, mirtilos e morangos do Uruguai são tão saborosos que se eu fosse você não perderia a chance.

A outra sugestão de comida é pizza com fainá. Corra para a pizzaria El Horno de Juan e faça seu pedido.

Explico, a pizza uruguaia tradicional é quase sempre disposta numa forma retangular com a massa mais grossinha e a preferida acredito que deve ser a muzzarela. 

Repare, eu disse a muzzarela e não de muzzarela hehe. 

É que no Uruguai eles chamam pizza de muzzarela, as duas palavras são quase sinônimos, é comum abreviar tudo por 'una muzzarela con un/dos/tres gustos' na hora de fazer o pedido.

A base dessa pizza é molho de tomate e queijo, e você adiciona os recheios - chamado gustos - que quiser e pode ser presunto, azeitona, palmito, etc.

No cardápio vocês sempre vão ver muzzarela e o preço com um, dois ou três recheios diferentes. A pizza mais tradicional aqui é desse jeito, dificilmente elas têm nomes como nossa pizza portuguesa que em toda pizzaria é composta pelos mesmos ingredientes (óbvio que tem pizzarias mais modernas que fazem massa fina, redonda e tem sabores já formados no cardápio, mas a clássica é como comentei acima).

Não estou muito segura se consegui explicar direito, deixo aqui o comercial da Conaprole que faz referência a essa forma uruguaia de pedir a pizza:



Já o fainá é uma massinha crocante bem fina feita de grão de bico. O fainá e a pizza são servidos separados, mas a graça é pegar um pedaço do fainá e colocar em cima da fatia de pizza e morder tudo junto. 

Parece estranho, mas é gostoso, juro! Experimentem e me contem depois, porfa!


E para combinar só falta a cerveja, né? Esqueça a Patrícia, Norteña e afins, é tempo de provar um pouco da produção artesanal uruguaia. Em frente ao Horno de Juan está a cervejaria Mastra com muitas opções deliciosas.

Se é a primeira vez que você prova uma cerveja artesanal, vá de larger/rubia, elas são mais suaves comparadas com as cervejas comerciais.


Ainda tem espaço para outra gostosura da terra? Tem chivitos com batata frita e empanadas no mercado! #yummy

Chivito com batatas rústicas, mas esse eu que fiz! :)


Para terminar, não dá para pensar em comida de rua uruguaia sem falar das tortas fritas. É o pastel de vento com nada dentro mais querido dessas bandas. 

Sabe nossos bolinhos de chuva? Aqui quando chove sempre - seeeeempre - vai aparecer alguém dizendo 'uh, que lindo para umas tortas fritas'.

No fim de tarde é bem comum ver uns carrinhos vendendo em diferentes pontos da cidade, se deixe guiar pelo cheiro de fritura rs. 

Na porta do mercado vejo com frequência uma senhora com um carrinho vendendo. Se no dia que fizer o roteiro você não encontrá-la na saída, não se preocupe, em algum momento da viagem você vai achar as benditas tortas fritas e garrapiñadas, outro clássico das ruas feito com amendoim confeitado (primeira foto do post).

E claro, se der um pulo no Parque Rodó, o churros de doce de leite das casinhas perto dos brinquedos é simplesmente imperdível!

Um roteiro para conhecer o Uruguai através dos mercados e comidas, espero que gostem e se joguem sem medo das calorias! :)

Abraço!

Dicas para economizar em Montevidéu

Um post especial para quem está buscando algumas ideias para economizar na viagem a Montevidéu.

Vem ver como gastar menos nessa cidade linda! :)



  • Hospedagem
Uma alternativa para diminuir custos pode ser alugar um studio em Montevidéu. Muitas vezes é possível encontrar apartamentos super bem localizados e aconchegantes pagando a mesma tarifa de um hotel meia boca. E tem a vantagem de poder cozinhar algumas refeições (olha a economia aí) e se sentir mais local vivendo a cidade.

Para quem já fez cara de tédio pensando em cozinhar ou se apavorou por não saber mexer nas panelas, aqui vai outra dica: fábricas de massas artesanais. Elas pululam em toda Montevidéu, herança da imigração italiana que está presente semanalmente na mesa dos uruguaios, não está escrito em nenhum lugar, mas domingo basicamente é dia de comer churrasco ou ravioles frescos rs! 

Entre na corrente, passe na fábrica mais perto de casa e peça sua porção de ravioles, sorrentinos ou macarrões coloridos. E um potinho de molho também fresquinho para acompanhar. Depois é só esquentar água, colocar a massa um par de minutos e voilà: jantar/almoço de chef por um precinho bem mais camarada! 

Mas voltando ao tema hospedagem, você gostou da ideia do studio e até da cozinha e agora está se perguntando como buscar esses apartamentos. Tem vários meios, mas o meu preferido é o AirBnb, já ouviu falar? É um site com várias opções de imóveis no mundo inteiro.

A plataforma é intuitiva, você entra, coloca a cidade de destino e as datas da viagem, logo aparece uma lista com diferentes sugestões e em seguida dá para ir filtrando por preço, bairro, comentários de outros viajantes, etc. Se gostar de algum e quiser fazer a reserva, é rapidíssimo e seguro pagar com o cartão de crédito, por exemplo.

Hum, e esse negócio de alugar a distância não corre o risco de ser golpe? Não é comum, o dono do apartamento não recebe os dados do seu cartão e minha recomendação é sempre reservar propriedades com boas referências, se 10 pessoas já alugaram e atestam que as características correspondem ao que está anunciado a chance de pagar por algo que não existe é mínima. 

No mais, esclareçam todas as dúvidas, todas mesmo para evitar surpresas ou mal entendidos (principalmente a forma e horário para pegar/entregar as chaves). 

Usamos bastante nas nossas viagens, seja alugando um quarto - antes da pequena nascer era uma opção super em conta em cidades caras - ou um apartamento inteiro. Nunca tivemos problemas e gosto da liberdade de ter um canto com cara de 'lar - doce lar' para chamar de meu, adoro ir a feiras, mercados, livrarias, curtir a rotina comum de bairro. 

Outra opção é hostel, para quem viaja sozinho os albergues continuam sendo o jeito mais barato para hospedar-se. Muitos já oferecem habitações privadas (e geralmente banheiro coletivo), mas a forma mais econômica ainda é dividindo o quarto com outros viajantes. 

Um albergue bacana em Pocitos no fim de semana custa a partir de 13 dólares a diária. O HostelWorld era a ferramenta que costumava usar para pesquisar vagas.

Para quem vai em dupla, um hotel econômico ou em promoção custa a partir de 38 dólares (sites como Booking disponibilizam promo todos os dias, fique atento). Os bairros com preços mais baixos tendem a ser o Centro e a Ciudad Vieja.

  • Transporte
É verdade que o táxi é barato em Montevidéu? Sim, tirando o táxi do aeroporto que tem tarifa fixa e cara, as corridas em geral tem preços bem convidativos, mas não dá para comparar com o ônibus, né?

É infinitamente mais econômico e fora dos horários de pico (pela manhã entre 8h e 9h e no fim de tarde entre 18h e 19h) muitas linhas funcionam como um bus turístico num passeio gostoso pelas ramblas de vários bairros e centro da cidade, é o caso do 104 que te leva até Carrasco, o bairro mais chiquetoso da capital.

Andar de ônibus em Montevideo é muito fácil, não tenham medo, acessem sempre o aplicativo da prefeitura Como Ir para ver quais linhas usar e na dúvida pergunte as pessoas na parada. 

Dá para acessar diretamente pelo site sem precisar baixar nenhum programa e apesar do layout antigo, é bem prático e facilita a vida mostrando tudo que precisamos saber.

Fiz a seguinte simulação: a pessoa está no letreiro de Montevideo e quer ir até a Plaza Independencia, #comofaz? Só digitar o nome da rua ou arrastar os pinos de origem e destino para o mapa.


No resultado apareceram 7 linhas diferentes e clicando em cima de cada linha na caixa de resultado todo o trajeto é mostrado no mapa. 

Aí clicando na figurinha do ônibus no mapa você vê a indicação da rua onde ele passa e na outra figurinha no final do percurso você também tem que clicar para ver onde terá que descer. 

Nesse exemplo, as linhas 62, 116 e 145 são mais práticas por passarem em frente a rambla mesmo, já os ônibus 104, 14 e 141 passam na rua 26 de Marzo (a três quadras da rambla).


Importante lembrar que em Montevidéu cada linha pára em determinados pontos, então não basta encontrar uma parada qualquer e ficar tranquilo esperando, é preciso saber exatamente onde o número que você quer pegar faz parada.

Eu nunca gravei tudo e sempre que precisei, usei o Cómo Ir porque nem todos os lugares tem a plaquinha com os números das linhas que funcionam ali, então vejam bem o nome das DUAS ruas porque de nada adianta chegar na 26 de Marzo esquina Pagola quando sua parada é 26 de Marzo esquina Buxareo, você só vai ver o bus passando direto.

Outra possibilidade é aproveitar as ramblas e ruas planas para andar de bicicleta. Um super passeio  - e meio de transporte - fazer a Shakira pedalando e cantando por aí.

Utilize o sistema público de aluguel de bike chamado Movete, há 8 pontos de retirada na Ciudad Vieja e precisa fazer um cadastro rápido no escritório que fica na rua Perez Castellano, número 1492. 


Por fim, uma dúvida frequente diz respeito ao Uber, ainda são poucos carros disponíveis na capital, mas o aplicativo funciona, sim. Os cuidados seriam os mesmos do Brasil (por aqui também os taxistas fazem papelão primitivo contra o Uber).

  • Comida
Ui, o tema mais difícil! Comer em Montevidéu não é nada barato, pesa mesmo no orçamento e o segredo vai ser equilibrar porque acho de verdade que a gastronomia faz parte da experiência viajando. 

Na minha cabeça não entra comer miojo ou cachorro-quente todo santo dia para economizar, experimentar a culinária típica e reservar pelo menos um dia para comer num lugar bacana faz parte do pacote viajar. 

Mas vamos as dicas para comer bem gastando menos (porque pouco seria exagero hehe). 

Os uruguaios obviamente não gastam 500 pesos na hora do almoço todos os dias úteis do mês, por aqui quem não leva marmita de casa na hora do almoço corre para as padarias e rotisserias que cercam os escritórios e centros comerciais.

É cultural na hora do almoço fazer o que a gente no Brasil facilmente poderia chamar de lanche. Eles comem tortas salgadas (tipo quiches) ou empanadas com alguma saladinha básica ou milanesa al pan (sanduíche de milanesa). Vocês verão isso em todos os lugares, só seguir o fluxo dos uruguaios saindo das oficinas e entrar no clima.

Meu último trabalho foi no World Trade Center em Pocitos e meu almoço de todo dia era no supermercado Tienda Inglesa dentro do shopping (eles vendem todo tipo de comida em marmitas, de macarrão, milanesa a sushi e tortas salgadas), Panadería Nuevo Pocitos ou Shisha, esse último o mais descoladinho com mesas cor de menta na calçada (veja o menu e preços aqui).

E aí o esquema que vejo para economizar com a alimentação é esse de comer como os uruguaios, nas padarias ou rotisserias basiconas-clássicas ou nos estabelecimentos que dão uma gourmetizada na decor e apresentação e oferecem um ambiente mais agradável, mas com esse menu de sempre do almoço a la uruguaia com preços competitivos. 

É o caso da rede Camelia, presente na Ciudad Vieja, Carrasco e Punta Carretas. 



Outra proposta parecida é o Brio Deli Market (veja o menu diário aqui), meu BBB preferido. No menu de todo dia sempre tem um prato mais contundente para quem não concebe essa ideia de almoçar torta salgada ou sanduíche (beijo, mãe!). 

E para quem não precisa de carne animal para ser feliz, os restaurantes veganos são ótimos para comer bem gastando menos, o La Papa no Parque Rodó tem um cardápio balanceado que costuma agradar até os mais carnívoros! 




Nas padarias esperem gastar uns 130 - 200 pesos uruguaios. No Brio e Camelia já sobe para uns 200 - 300 pesos.

Vale ficar atento também ao menu executivo dos restaurantes, geralmente de segunda a quinta-feira das 12 às 15h rola uma promoção que inclui bebida, prato principal e sobremesa simples por um preço único (costuma ser na casa dos 350), mas estejam atentos ao cubierto (serviço de mesa obrigatório que tanto estressa os brasileiros desavisados) que pode encarecer o pacote, pergunte antes se o estabelecimento cobra e veja se ainda vale a pena pedir o menu.

E a dica de sempre de pagar a conta do restaurante com o cartão de crédito para descolar o desconto do IVA, veja mais info nesse texto.

  • Passeios
E agora a parte mais fácil! Eba! :)

Ser turista em Montevidéu não custa caro, são várias atrações gratuitas ou com preços módicos. A lista de passeios grátis inclui muitos museus, parques, feiras e uma orla maravilhosa e extensa para caminhar e assistir o fim de tarde.



Nesse post você encontra 5 opções gratuitas que merecem sua visita e nesse outro um roteiro completinho pelo Centro e Ciudad Vieja com uma seleção de atrações gratuitas e outras que não custam quase nada.

Vamos nessa? :)





* Naveguem nos links para maiores informações.

A legalização da maconha no Uruguai

A legalização da maconha no Uruguai: post polêmico, mas um assunto frequente.

Nas minhas idas ao Brasil chegava a ser engraçado o tom curioso que sempre me perguntavam 'é verdade mesmo que é liberado?' e até pouco tempo atrás a quantidade de e-mails que recebia com uma interpretação totalmente equivocada da lei era enorme. 

Todo mundo aparecia com planos e mais planos de negócios espetaculares com a erva no Uruguai, pouca gente se dava o trabalho de ler a lei, mas já queria saber quanto custava um ponto na capital e o passo a passo - detalhado - de toda a burocracia para abrir um coffee shop. 

A ideia que pairava era basicamente: vamos vender crazy cake, uns cigarrinhos, fazer uma grana e ser feliz num lugar livre e pra frentex! E né? Não é desse jeito que a banda toca. 

Esperei a poeira baixar para poder tocar nesse tema aqui no blog. Primeiro porque de verdade nada mudou na minha rotina de moradora. Nada. Depois porque estava com preguiça da língua afiada da turma que se sente ofendida pela legalização. 

Fato é que o Uruguai ganhou as manchetes de todo o mundo com a implementação da lei número 19.172 (e posteriormente do decreto 120/014), o país ousou na iniciativa de regular todo o processo produtivo da cannabis, dispondo sobre o plantio, cultivo, distribuição, venda e consumo.

Foto Marcelo Bonjour / El Pais Uruguay

A discussão em solo nacional sempre foi polêmica, nunca houve um consenso. O Senado aprovou a lei numa disputa apertada: 16 votos contra 13.

A população assistia aos debates um tanto quanto perdida, ninguém sabia direito o que efetivamente esperar após as mudanças legais, pesquisas feitas na época - no ano de 2013 no caso - mostravam que 66% dos cidadãos uruguaios eram contra essas medidas.

Um número expressivo, visto que mais da metade dos uruguaios não enxergavam a lei como positiva para a realidade do país.  Além do conservadorismo presente, haviam muitas perguntas sem respostas no tocante ao controle, segurança e dinâmica da produção.

Mas quem assistia de fora facilmente se iludia com a figura romântica da Amsterdam das Américas. E não, amigo turista, já adianto que a lei não confere privilégios para a sua condição de visitante. Em outras palavras, a lei não permite que você chegue aqui e compre tranquilamente maconha na rua, na chuva ou na fazenda.

Para o turista, vale a pena destacar três pontos importantes:

  • O consumo regulamentado é exclusivamente para uruguaios ou residentes permanentes maiores de 18 anos. 
  • Mesmo sendo uruguaio ou residente, quem compra precisa estar previamente cadastrado no sistema de usuários. 
  • A venda quando ocorre é feita unicamente nos estabelecimentos autorizados pelo governo.

Resumindo, se alguém te vender um cigarrinho na rua já é outra coisa, não faz parte do pacote legal e comprar é por sua conta e risco. 

E para quem vive aqui (e cumpre com os requisitos da lei, claro) é fácil ter acesso a maconha legalmente? Sim, a burocracia é praticamente inexistente para se cadastrar.

A lei criou o Instituto de Regulação e Controle de Cannabis (o IRCCA) responsável por regular as atividades do processo de produção da erva, outorgar licenças, criar registro de usuários, autorizar os clubes de usuários de maconha (chamados clubes de membresía), registrar as declarações de auto cultivo, dentre outras atribuições.

São três formas possíveis para adquirir a maconha no Uruguai: sendo membro de um clube registrado, cultivando a própria planta em casa ou comprando nas farmácias habilitadas.

As vendas em farmácias ainda não foram iniciadas, e acreditem, houve muita dificuldade para encontrar interessados em todo o país: apenas 50 (cinquenta!) locais se inscreveram dentre os 1.200 existentes.

Os donos de farmácias alegam não haver segurança suficiente para vender maconha nos seus estabelecimentos e temem conflitos com os traficantes dos bairros, outros não querem arriscar perder a clientela que não apoia essas medidas e há ainda quem declare conflitos éticos. 

Em meio a esse cenário, o início das vendas está previsto para esse segundo semestre de 2016. Estima-se que o governo venderá cada gramo a 0,90 centavos de dólar e as farmácias poderão agregar até 30% sobre esse valor na venda ao cliente final, ou seja, o gramo na farmácia será vendido por aproximadamente 1,17 dólares (quase 4 reais).


A lei prevê limites para o consumo que vão desde o número e tipo de plantas que cada usuário registrado pode ter, a quantidade mensal que se pode comprar nas farmácias (10g semanais e até 40g por mês), o número de membros mínimo e máximo para cada clube (15 e 45, respectivamente).

Comentei lá no início do texto que nada mudou na minha rotina e repito para responder uma pergunta que também sempre me fazem: e aí depois que liberaram virou bagunça? Tem gente drogada em todos os lugares? 

E eu digo que não, não virou terra de ninguém. Por aqui já existia uma lei que permitia o consumo pessoal em lugares públicos, inclusive. Essa lei proibia a produção e comercialização. Na real, desde que cheguei em Montevidéu há 6 anos atrás, todo mundo que queria fumar maconha, fumava numa boa. 

Nunca houve um passeio de domingo na rambla ou parque sem que eu visse pessoas fumando ou sentisse o cheiro de maconha no ar. As pessoas aprendem a conviver sem dramas porque sim, o uruguaio é conservador, mas de modo geral não mete o bedelho publicamente no que o outro está fazendo, sabe aquela coisa de cada um no seu quadrado? Pois é.

Jamais presenciei nenhuma - absolutamente nenhuma - confusão causada por quem estava fumando um porro, como chamam o cigarro de maconha nas bandas de cá.

E ó, uma pausa no tema sério para contar um mico que até hoje pago por aqui: confundo com uma frequência constrangedora as palavras porro e puerro (alho poró), gente! Imagina a louca na feira: un porro, por favor! Digo puerro! No, porro! Puerro? - Maldito portunhol arraigado hehe!

Outro comentário que volta e meia as pessoas de fora dizem é: agora que está escancarado todo mundo vai querer experimentar! Eu acho um pensamento até meio infantil. Quem já teve a curiosidade dificilmente se sentiu inibido pela falta de legalização. Eu du-vi-do que alguém que tinha a vontade de experimentar vai só agora fazer o registro para provar o primeiro cigarro da vida dentro da legalidade.

Eu não fumo, Pablo não fuma, temos 'x' amigos que não fumam e a vida continua igual, até agora ninguém se viu tentado nem saiu correndo desesperado para o IRCCA se registrar porque agora pode.

O propósito da lei não é incentivar todo mundo a virar maconheiro u-hu, pegar na mão do Raul e viver a sociedade alternativa. A publicidade - direta ou indireta - é expressamente vedada em qualquer meio de comunicação, não existe o incentivo e uma das finalidades da lei é justamente alertar e educar. O buraco social é mais embaixo e fica - talvez - para outro texto.

Quem quiser ampliar o conhecimento sobre a legalização da maconha no Uruguai e entender os procedimentos detalhadamente, recomendo a leitura do texto integral da lei 19.172 que regula a marihuana e seus derivados, do decreto 120/014 e todo o conteúdo do site do IRCC.

Para quem pensa em investir no mercado (não com coffee shop, obrigada, de nada) em dezembro acontece a terceira edição da Expo Cannabis, um evento com abordagens variadas que movimenta a região.

Para terminar, vou só frisar que o texto - como o blog em si - é uma opinião pessoal, o ponto de vista de uma e apenas uma pessoa que viveu esse período pré e pós legalização. Obviamente pessoas com realidades e experiências diferentes têm percepções diversas - ou não. O desafio é todo mundo respeitar todo mundo e cada escolha, né?

Abraço! :)

Degusto WTC: feirinha gastronômica em Montevidéu

*Texto Luisa Zuffo - 

Depois de um inverno longo e gelado, os uruguaios já estão ansiosos pela primavera! E para receber esses dias lindos de céu azul e temperaturas agradáveis, só queremos (me incluindo no pacote dos que já cansaram do inverno) programas ao ar livre!

Um programa legal pra quem estiver em Montevidéu nos dias 29 e 30 de setembro é a nova edição da Feira Gastronômica Degusto Montevidéu, que vai acontecer no estacionamento do World Trade Center no bairro Pocitos. 


Degusto feira gastronomica Montevideu

Degusto feira gastronomica Montevideu

A Degusto se orgulha em ser uma vitrine da gastronomia uruguaia. O projeto já contou com duas edições anteriores. A primeira edição foi em Carrasco e foi um sucesso absoluto de público. A segunda versão foi mais enxuta, aconteceu no estacionamento do World Trade Center (WTC), e tinha como foco os foodtrucks. 

A versão que dá boas vindas à primavera amplia a proposta da segunda edição para incluir chefs reconhecidos e chefs emergentes coexistindo com os foodtrucks. O diferencial dessa proposta é também trazer opções gastronômicas consagradas na Ciudad Vieja para marcar presença do outro lado da cidade.


Degusto WTC feira gastronomica Montevideu

Na quinta-feira, eu me reuni com Belén Sosa, uma das idealizadoras e organizadoras do festival, para conversar um pouco sobre as expectativas para as edições futuras da Degusto e também saber mais detalhes sobre o projeto. 

A ideia de produzir uma feira gastronômica dessa magnitude no Uruguai surgiu por conta da iniciativa de  três amigas, com backgrouds distintos, mas um comum interesse em aproximar as pessoas da gastronomia. Belén Sosa, Lucia Fynn e Florencia Lecueder são as responsáveis por criar essa oportunidade que dá visibilidade a gastronomia uruguaia.

Belén comentou que a ideia do projeto surgiu justamente porque havia espaço no mercado para um evento que destacasse a gastronomia uruguaia. Depois de buscar referências em feiras similares em outros países, as gurias viram o potencial do projeto e decidiram investir em mais de um ano de planejamento, buscar parcerias e tirar do papel um plano ambicioso que tivesse o foco completamente concentrado na comida, aproveitando o interesse do público em experimentar coisas novas e participar desse tipo de eventos.

Quando perguntei quais foram as lições aprendidas com as edições anteriores, Belén mencionou que, sem dúvidas, um ponto que ficou bem claro foi a necessidade de planejamento para receber um número massivo de pessoas que comparece ao evento.

Alguns dos empreendimentos que estarão presentes na versão que acontece agora no final de setembro: Jacinto, Lucca, Volverás a mi, Futuro Refuerzos, Rolling Beat, Café Nomade, Crepas, Mercado Verde, Scarone Pizza, Glamburguer entre outros! É uma mescla de foodtrucks e estabelecimentos clássicos da Ciudad Vieja que se transportam para o WTC em Pocitos.

Degusto feira gastronomica Montevideu

Espera-se que mais de 2000 pessoas transitem pelo espaço do evento durante os dois dias. Eu, com certeza, marcarei presença e já aproveito para estender o convite para todos vocês! E se você tiver interesse de ir, já deixo aqui o link para o evento no Facebook. 


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Oi gente! Meu nome é Luisa, sou gaúcha e gremista, mas, sempre digo que sou de Brasília. Já morei em 4 países diferentes, moro em Montevidéu desde agosto de 2014 e ainda não tenho data de partida. Sou formada em Relações Internacionais e atualmente não exerço a profissão. Adoro viajar, ler, cozinhar, rir. Sou apaixonada por internet, fotografia, música e seriados! Atualmente, estudo confeitaria no Colégio de Gastronomia Gato Dumas. Tenho muito carinho pelo meu blog de receitas: www.blogdalu.net. Sou curiosa, sempre topo conhecer um lugar novo e adoro compartilhar minhas aventuras no Instagram!


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Visitando El Aguila: a parada mais inusitada do Leste

Já falei sobre Atlántida algumas vezes aqui no blog, um balneário bem gracinha que raramente aparece no roteiro dos viajantes. Ele fica ali do ladinho de Montevidéu, perfeito para um bate e volta rápido, barato e cheio de interessância. Também fica no caminho de Punta, uma parada estratégica para quem viaja de carro.

Para despertar a atenção do visitante seria suficiente dizer que Atlántida era o refúgio de Pablo Neruda, tem construções belíssimas, uma orla simpática com espaços para assistir um por do sol fantástico (sim, sou das miçangas de humanas e pisciana, mas acredite, o por do sol no Uruguai é mágico e conta como atração) e restaurantes com os preços mais camaradas da costa.

Em meio a tudo isso existe El Aguila, um lugar rodeado de mistérios e lendas, é impossível ficar indiferente à casinha em forma de águia olhando o horizonte do Rio de la Plata: quem inventou isso? Desde quando? Por quê esse desenho? Nossa, parece uma águia gigante mesmo, só que de pedra! Ih, fico meio claustrofóbica aqui dentro, mas que vista sensacional! Que viagem, hein? Foto! Outra mais! 

El Aguila em Atlantida no Uruguai

A primeira vez que visitei fiquei com todas essas perguntas e ideias na cabeça, recebi um folheto na entrada com algumas informações úteis, mas era muita curiosidade para poucas linhas e chegando em casa comecei a ler e descobrir outras coisas.

El Aguila em Atlantida no Uruguai
2011: minha primeira vez no mirante El Aguila!


A construção teria sido um capricho do empresário italiano Natalio Michelizzi, a mesma figura responsável pelo Edifício Planeta - aquele com forma de barco na orla de Atlántida e aqui escapa um suspiro para o tempo que ricos criavam coisas excêntricas porque sim, era legal ostentar com arte diferentona, vanguardista, arrojada, etc e tal.  

Sua forma curiosa deu espaço a diversas interpretações, muita gente garante que ali funcionou um laboratório de alquimia - universo super relacionado a história uruguaia, ainda preciso escrever sobre essas curiosidades que trouxeram até o Einsten para essas bandas do sul - e há ainda os convencidos que tratava-se de um esconderijo para nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Nenhuma dessas teorias foram confirmadas, o que se tem documentado mesmo é que o italiano pediu ao construtor Juan Torres um puxadinho no fundo do jardim do chalé que morava quando estava na cidade, encomendou um espaço pequeno de 2mx2m para colocar a imagem de uma santa que ele ia mandar trazer lá de Buenos Aires, seria uma espécie de gruta- mini capela, um lugar simbólico para colocar a virgem, nada mais que isso. 

O construtor, conhecendo o lado excêntrico e grandioso do Natalio, decidiu ampliar o projeto e fazer um comodo com o dobro do tamanho e teto. O empresário gostou das alterações e pediu para ampliar ainda mais a obra, abrindo uma arcada na lateral e levantando um quarto. Logo depois, entendeu que ali seria um ponto privilegiado para receber os amigos e resolveu agregar uma cozinha e um banheiro. 

Quando a obra terminou, segundo conta Juan Torres, o cliente contemplando satisfeito, fez um novo pedido: que elevassem uma águia e cobrissem com pedras para parecer plumas. 

E assim foi feito, a águia foi artesanalmente finalizada com produtos extraídos da região, mas a danada da imaginação do italiano não sossegava e ele achou que ficaria legal incluir a forma de um barco na parte inferior. Eu consigo imaginar a cara do Juan nesse momento rs!

A casa ganhou um varandão que lembra a proa de um barco e era onde o dono curtia seu dolce far niente junto aos amigos e a amada Marcela Benincampi (que muitos chamavam amante, posto que ambos eram casados em Buenos Aires, não existia divórcio naquela época e Marcela carregava o estado civil - e um bebê - de um casamento que durou pouco mais de 1 ano, era a secretária pessoal do Natalio, ou seja, elementos suficientes para limitar/ignorar o papel da mulher nos acontecimentos, mas não caiam nessa, Marcela foi companheira de vida e uma sócia competente nos negócios). 

El Aguila em Atlantida no Uruguai

A história real sobre a origem da casa - pelo menos a que dizem comprovada - não tem tantos mistérios com conspirações, magos, piratas ou nazistas como a crença popular ainda insiste em propagar nos dias de hoje. 

Mas quem vai dizer que o enredo oficial também não rende uma boa trama com amores, desamores, sonhos e excentricidades, né? O resultado é um lugar peculiar que é de uma lindeza só.

El Aguila - ou La Quimera como era chamada pelos donos - foi abandonada após a morte do Natalio e posteriormente da Marcela, parte da proa original desmoronou e em 2013 os moradores juntaram esforços e criaram uma ONG para preservar e proceder os reparos necessários. 

A casa está aberta para os curiosos visitantes, a entrada é gratuita e funciona desde 9h às19:30 no verão e 9h às 18h no inverno.

Está localizada na altura do km 43 da Ruta Interbalnearia, na Villa Argentina (a dois km de Atlántida). Tem placa na estrada sinalizando a entrada, não perca a chance de conhecer um dos lugares mais místicos do Uruguai, a vista para a baía e a inusitada ave de pedra sem dúvida valem o pequeno desvio. 

Abraço!

4 passeios diferentões em Punta e arredores

Todo ano quando as temperaturas começam a cair a caixa de e-mails começa a subir com dúvidas sobre Punta del Este: afinal, tem o que fazer quando o verão acaba ou não?


Dicas Punta del Este no inverno



Entendo que é difícil pensar na logística do roteiro quando a imagem que se vende é um balneário com atividades praieiras, corpos bronzeados e festinhas glamourosas no after beach, aí quando o inverno chega e a praia não pode ser mais a protagonista é comum ficar um espaço em branco nas ideias. 

Quem só conhece Punta no verão não consegue visualizar como a cidade se transforma no inverno, e vice-versa. São cidades totalmente diferentes, mas uma coisa é certa, dá para ser feliz e aproveitar muito a viagem em qualquer estação.

E hoje - com esse título apelativo hehe - quero trazer algumas propostas bacanas que fogem do conceito praia e dos clássicos pontos turísticos (aka Los Dedos, Igreja La Candelaria, Casa Pueblo, Conrad que também devem estar no seu roteiro) e pegam bem o ano inteiro para vocês não terem mais dúvidas se dá para aproveitar a cidade sem o pé na areia! :)

Vamos lá conhecer os passeios diferentões escolhidos?


  • Enoturismo
Vinho combina com inverno, não canso de dizer. E nada melhor do que uma degustação numa vinícola, conhecer os vinhedos e detalhes sobre o processo de elaboração é sempre um passeio gostoso.

Punta del Este conta com boas opções para fazer enoturismo, já comentei por aqui que a vinícola Alto de la Ballena é uma ótima opção para visitar na região e se esbaldar com os vinhos uruguaios.


  • Degustação de azeite de oliva
Faz um tempinho que as serras de Maldonado - o Estado onde se encontra Punta del Este - desponta na produção de azeite de oliva. 

O produto uruguaio está entre os melhores do mundo e a Colinas  de Garzón é um mega empreendimento, todo elegante e belo - a cara desse lado chique e badalado de Punta - que oferece visitas guiadas e degustações.

A Colinas de Garzón ainda merece um post só dela porque há um mundo de atividades por lá, além dos azeites maravilhosos, eles produzem vinhos excelentes e dentre as propostas de lazer tem até passeio de balão. Já pensou que sucesso voar pelo céu e olivares de Punta? 

A bodega fica a mais ou menos 1h do centro e dá para contratar o transfer (ou pacote completo já com degustações) nas agências de turismo locais. 

Para quem estiver com carro alugado (acho o melhor jeito para desfrutar a viagem, tem muita coisa interessante que está fora de Punta e é inviável fazer por conta/usando transporte público, por exemplo), a sugestão é fazer uma parada no meio do caminho em José Ignácio e curtir a vista do farol.


O que fazer inverno Punta del Este

  • Museu Rallí
O bairro Beverly Hills é mais conhecido por suas suntuosas mansões, mas guarda uma joia que poucos turistas brasileiros experimentam conhecer: o Museu Rallí.

Um acervo de alto nível num lugar maravilhoso, a casa foi construída especialmente para esse fim e conta com exposições permanentes de artistas latinoamericanos contemporâneos e grandes nomes do surrealismo, lá encontramos obras de Botero a Salvador Dalí. 

É um museu que vale a pena até para quem diz que não gosta de museu, sério. Os pátios internos são uma lindeza só, impossível ficar indiferente ao pátio que está cheio de esculturas, é uma graça. 

E a entrada é gratuita, palavrinha que faz os olhos brilharem em Punta del Este! 

Trata-se de uma entidade privada sem fins de lucro, fundada por um banqueiro aposentado e colecionador, o projeto em Punta foi o primeiro, hoje já são 5 museus ao redor do mundo (Chile, Israel e Espanha), não aceitam doações ou subsidios de terceiros e não têm nenhuma atividade comercial em paralelo, por isso não vemos livrarias, cafés ou lojinhas no local. O propósito é única e exclusivamente a difusão da arte. 


  • Fundação Pablo Atchugarry
Continuando nessa vibe das artes, a Fundação Pablo Atchugarry é outro lugar incrível que por algum motivo que não entendo raramente aparece no roteiro dos viajantes.

É uma instituição também sem fins de lucro e com ingresso gratuito, um projeto social e cultural levado adiante baseado no trabalho e prestígio do seu fundador.

Claramente um espaço de união entre arte e natureza, o mais impressionante é o parque de esculturas a céu aberto onde as obras e paisagens se complementam lindamente, apresentam obras de diferentes artistas nacionais e internacionais.

Além do parque aberto que já vale seu passeio, o espaço conta ainda com o atelier do Pablo, onde é possível visitar e eventualmente encontrá-lo em ação, salas de exposição, auditório e sala didática onde se promovem aulas de escultura, desenho, pintura, etc. 

Eu sei que já tem gente se perguntando se realmente vale a pena no inverno por conta da parte aberta e a resposta é sim. Inverno não é sinônimo de chuva todo dia, gente! Pode fazer um dia lindo de céu azulzinho e sol brilhando, só que frio. Ou um dia cinza e também frio. Eu só dispensaria a visita num dia chuvoso ou de muito vento, aí vai depender da sua sorte com o clima nos dias da viagem hehe.


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Malas preparadas? Espero ter trazido algumas ideias novas para vocês aproveitarem ainda mais os dias frios em Punta del Este e arredores.

No meio do post já conseguia pensar em outras propostas e quem sabe antes do frio acabar pinta por aqui a parte 2 dos diferentões? :)

Abraço!

Colonia do Sacramento: pernoite ou bate e volta?

Uma das perguntas mais frequentes aqui no blog: vale a pena dormir em Colonia ou com um dia de bate e volta é suficiente para ver tudo?

Dicas Colonia do Sacramento

Colonia é sentimento, gente! Eu sei, ficou cafona, mas é isso. 

Não se trata de ver 'x' atrações em tantas horas, e sim curtir o clima gostosinho da cidade, se perder pelas ruas fofas e floridas do centro histórico, descobrir um cantinho seu, assistir o por do sol nas margens do Rio de la Plata, ver os farolitos acendendo com a chegada da noite, tomar uma cervejinha ou vinho em algum restaurante, viver sem pressa.

Por essas e outras, eu sempre vou recomendar o pernoite em Colonia. Acho uma maravilha a experiência de dormir e acordar lá.

Mas isso não quer dizer que o bate e volta seja uma opção menos interessante. Dá para ser muito feliz passando só algumas horas em Colonia, seguramente será um dos passeios mais bacanas da sua viagem.

Já fui algumas vezes apenas para passar o dia e foram passeios lindos, o que eu digo é que tendo a possibilidade de escolher, eu fico com a opção dormir. 

O que não recomendaria mesmo é deixar de conhecer esse destino, acho o lugar mais charmoso do Uruguai.

E aí a decisão do pernoite ou bate- volta fica por conta do seu tempo e orçamento! ;)


Como chegar:

Saindo de Montevidéu são 177km de estrada em ótimo estado, é fácil e seguro para quem vai dirigindo.

De ônibus esse trajeto é feito entre 2h30 e 3h. 

A passagem custa 337 pesos uruguaios (mais ou menos R$60 - apenas um trecho).

A frequência diária é intensa: desde 5 da manhã até meia noite os ônibus partem da capital praticamente a cada 1h. Veja os horários e empresas nesse link da rodoviária Tres Cruces.


Por conta própria ou de excursão?

Tudo vai depender do nível de conforto que você deseja. Uma coisa é ter uma van te esperando na porta do hotel e um guia te acompanhando durante todo o passeio e outra coisa é se virar sozinho com tudo o tempo todo.

Mas Colonia - ao contrário de Punta del Este, por exemplo - é um destino super prático para quem deseja se aventurar por conta própria: basta subir no bus em Tres Cruces, descer na rodoviária de Colonia, dar uns poucos passos e encontrar as ruas mais fofas do centro histórico.

Indo por conta fica bem mais econômico, claro. E para quem não dispensa um guia explicando tudo, é possível fechar um walking tour na cidade.


Onde hospedar-se:

O primeiro lugar que passa na minha cabeça é a Posadita de la Plaza, projeto do Eduardo e Camile, dois gaúchos queridíssimos.

Fiz um post completo com nossa passagem pela pousada logo quando inauguraram, e hoje, um ano depois, eles seguem colecionando excelentes comentários em todos os meios. Vale a pena checar. 

Dica hospedagem Colonia do Sacramento

Outra opção que me agradou bastante foi a Don Antonio Posada. Também tem post especial aqui.


Onde comer:

Nesse post tem dicas preciosas para comer bem em Colonia.

Já anota aí o Charco Bistrô, Lentas Maravillas e corre lá para ver mais! :)


Como seguir viagem para Buenos Aires

Escrevi um texto comentando as possibilidades de transporte ligando o Uruguai e Argentina.

A viagem de Colonia até a capital portenha é rápida - 1h - e barata, veja todas as dicas nesse post.


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Espero ter conseguido ajudar nas dúvidas e que a passagem de vocês por Colonia del Sacramento seja bem especial! :)

Abraço!