Conheça nosso Guia de Montevidéu

Dicas de roteiros para 5 dias, experiência gastronômica, vida noturna e muito mais.

5 atrações gratuitas - e imperdíveis - em Montevidéu

Algumas sugestōes para curtir Montevidéu gastando pouco... ou nada!

Mirante Panorâmico

Montevidéu vista do alto

Bate e volta desde Montevidéu

Um passeio incrível na linda Piriápolis

Carmelo: Comer, Beber e Amar

Conheça os encantos dessa pequena cidade vizinha a Colonia del Sacramento

A legalização da maconha no Uruguai

A legalização da maconha no Uruguai: post polêmico, mas um assunto frequente.

Nas minhas idas ao Brasil chegava a ser engraçado o tom curioso que sempre me perguntavam 'é verdade mesmo que é liberado?' e até pouco tempo atrás a quantidade de e-mails que recebia com uma interpretação totalmente equivocada da lei era enorme. 

Todo mundo aparecia com planos e mais planos de negócios espetaculares com a erva no Uruguai, pouca gente se dava o trabalho de ler a lei, mas já queria saber quanto custava um ponto na capital e o passo a passo - detalhado - de toda a burocracia para abrir um coffee shop. 

A ideia que pairava era basicamente: vamos vender crazy cake, uns cigarrinhos, fazer uma grana e ser feliz num lugar livre e pra frentex! E né? Não é desse jeito que a banda toca. 

Esperei a poeira baixar para poder tocar nesse tema aqui no blog. Primeiro porque de verdade nada mudou na minha rotina de moradora. Nada. Depois porque estava com preguiça da língua afiada da turma que se sente ofendida pela legalização. 

Fato é que o Uruguai ganhou as manchetes de todo o mundo com a implementação da lei número 19.172 (e posteriormente do decreto 120/014), o país ousou na iniciativa de regular todo o processo produtivo da cannabis, dispondo sobre o plantio, cultivo, distribuição, venda e consumo.

Foto Marcelo Bonjour / El Pais Uruguay

A discussão em solo nacional sempre foi polêmica, nunca houve um consenso. O Senado aprovou a lei numa disputa apertada: 16 votos contra 13.

A população assistia aos debates um tanto quanto perdida, ninguém sabia direito o que efetivamente esperar após as mudanças legais, pesquisas feitas na época - no ano de 2013 no caso - mostravam que 66% dos cidadãos uruguaios eram contra essas medidas.

Um número expressivo, visto que mais da metade dos uruguaios não enxergavam a lei como positiva para a realidade do país.  Além do conservadorismo presente, haviam muitas perguntas sem respostas no tocante ao controle, segurança e dinâmica da produção.

Mas quem assistia de fora facilmente se iludia com a figura romântica da Amsterdam das Américas. E não, amigo turista, já adianto que a lei não confere privilégios para a sua condição de visitante. Em outras palavras, a lei não permite que você chegue aqui e compre tranquilamente maconha na rua, na chuva ou na fazenda.

Para o turista, vale a pena destacar três pontos importantes:

  • O consumo regulamentado é exclusivamente para uruguaios ou residentes permanentes maiores de 18 anos. 
  • Mesmo sendo uruguaio ou residente, quem compra precisa estar previamente cadastrado no sistema de usuários. 
  • A venda quando ocorre é feita unicamente nos estabelecimentos autorizados pelo governo.

Resumindo, se alguém te vender um cigarrinho na rua já é outra coisa, não faz parte do pacote legal e comprar é por sua conta e risco. 

E para quem vive aqui (e cumpre com os requisitos da lei, claro) é fácil ter acesso a maconha legalmente? Sim, a burocracia é praticamente inexistente para se cadastrar.

A lei criou o Instituto de Regulação e Controle de Cannabis (o IRCCA) responsável por regular as atividades do processo de produção da erva, outorgar licenças, criar registro de usuários, autorizar os clubes de usuários de maconha (chamados clubes de membresía), registrar as declarações de auto cultivo, dentre outras atribuições.

São três formas possíveis para adquirir a maconha no Uruguai: sendo membro de um clube registrado, cultivando a própria planta em casa ou comprando nas farmácias habilitadas.

As vendas em farmácias ainda não foram iniciadas, e acreditem, houve muita dificuldade para encontrar interessados em todo o país: apenas 50 (cinquenta!) locais se inscreveram dentre os 1.200 existentes.

Os donos de farmácias alegam não haver segurança suficiente para vender maconha nos seus estabelecimentos e temem conflitos com os traficantes dos bairros, outros não querem arriscar perder a clientela que não apoia essas medidas e há ainda quem declare conflitos éticos. 

Em meio a esse cenário, o início das vendas está previsto para esse segundo semestre de 2016. Estima-se que o governo venderá cada gramo a 0,90 centavos de dólar e as farmácias poderão agregar até 30% sobre esse valor na venda ao cliente final, ou seja, o gramo na farmácia será vendido por aproximadamente 1,17 dólares (quase 4 reais).


A lei prevê limites para o consumo que vão desde o número e tipo de plantas que cada usuário registrado pode ter, a quantidade mensal que se pode comprar nas farmácias (10g semanais e até 40g por mês), o número de membros mínimo e máximo para cada clube (15 e 45, respectivamente).

Comentei lá no início do texto que nada mudou na minha rotina e repito para responder uma pergunta que também sempre me fazem: e aí depois que liberaram virou bagunça? Tem gente drogada em todos os lugares? 

E eu digo que não, não virou terra de ninguém. Por aqui já existia uma lei que permitia o consumo pessoal em lugares públicos, inclusive. Essa lei proibia a produção e comercialização. Na real, desde que cheguei em Montevidéu há 6 anos atrás, todo mundo que queria fumar maconha, fumava numa boa. 

Nunca houve um passeio de domingo na rambla ou parque sem que eu visse pessoas fumando ou sentisse o cheiro de maconha no ar. As pessoas aprendem a conviver sem dramas porque sim, o uruguaio é conservador, mas de modo geral não mete o bedelho publicamente no que o outro está fazendo, sabe aquela coisa de cada um no seu quadrado? Pois é.

Jamais presenciei nenhuma - absolutamente nenhuma - confusão causada por quem estava fumando um porro, como chamam o cigarro de maconha nas bandas de cá.

E ó, uma pausa no tema sério para contar um mico que até hoje pago por aqui: confundo com uma frequência constrangedora as palavras porro e puerro (alho poró), gente! Imagina a louca na feira: un porro, por favor! Digo puerro! No, porro! Puerro? - Maldito portunhol arraigado hehe!

Outro comentário que volta e meia as pessoas de fora dizem é: agora que está escancarado todo mundo vai querer experimentar! Eu acho um pensamento até meio infantil. Quem já teve a curiosidade dificilmente se sentiu inibido pela falta de legalização. Eu du-vi-do que alguém que tinha a vontade de experimentar vai só agora fazer o registro para provar o primeiro cigarro da vida dentro da legalidade.

Eu não fumo, Pablo não fuma, temos 'x' amigos que não fumam e a vida continua igual, até agora ninguém se viu tentado nem saiu correndo desesperado para o IRCCA se registrar porque agora pode.

O propósito da lei não é incentivar todo mundo a virar maconheiro u-hu, pegar na mão do Raul e viver a sociedade alternativa. A publicidade - direta ou indireta - é expressamente vedada em qualquer meio de comunicação, não existe o incentivo e uma das finalidades da lei é justamente alertar e educar. O buraco social é mais embaixo e fica - talvez - para outro texto.

Quem quiser ampliar o conhecimento sobre a legalização da maconha no Uruguai e entender os procedimentos detalhadamente, recomendo a leitura do texto integral da lei 19.172 que regula a marihuana e seus derivados, do decreto 120/014 e todo o conteúdo do site do IRCC.

Para quem pensa em investir no mercado (não com coffee shop, obrigada, de nada) em dezembro acontece a terceira edição da Expo Cannabis, um evento com abordagens variadas que movimenta a região.

Para terminar, vou só frisar que o texto - como o blog em si - é uma opinião pessoal, o ponto de vista de uma e apenas uma pessoa que viveu esse período pré e pós legalização. Obviamente pessoas com realidades e experiências diferentes têm percepções diversas - ou não. O desafio é todo mundo respeitar todo mundo e cada escolha, né?

Abraço! :)

Degusto WTC: feirinha gastronômica em Montevidéu

*Texto Luisa Zuffo

Depois de um inverno longo e gelado, os uruguaios já estão ansiosos pela primavera! E para receber esses dias lindos de céu azul e temperaturas agradáveis, só queremos (me incluindo no pacote dos que já cansaram do inverno) programas ao ar livre!

Um programa legal pra quem estiver em Montevidéu nos dias 29 e 30 de setembro é a nova edição da Feira Gastronômica Degusto Montevidéu, que vai acontecer no estacionamento do World Trade Center no bairro Pocitos. 


Degusto feira gastronomica Montevideu

Degusto feira gastronomica Montevideu

A Degusto se orgulha em ser uma vitrine da gastronomia uruguaia. O projeto já contou com duas edições anteriores. A primeira edição foi em Carrasco e foi um sucesso absoluto de público. A segunda versão foi mais enxuta, aconteceu no estacionamento do World Trade Center (WTC), e tinha como foco os foodtrucks. 

A versão que dá boas vindas à primavera amplia a proposta da segunda edição para incluir chefs reconhecidos e chefs emergentes coexistindo com os foodtrucks. O diferencial dessa proposta é também trazer opções gastronômicas consagradas na Ciudad Vieja para marcar presença do outro lado da cidade.


Degusto WTC feira gastronomica Montevideu

Na quinta-feira, eu me reuni com Belén Sosa, uma das idealizadoras e organizadoras do festival, para conversar um pouco sobre as expectativas para as edições futuras da Degusto e também saber mais detalhes sobre o projeto. 

A ideia de produzir uma feira gastronômica dessa magnitude no Uruguai surgiu por conta da iniciativa de  três amigas, com backgrouds distintos, mas um comum interesse em aproximar as pessoas da gastronomia. Belén Sosa, Lucia Fynn e Florencia Lecueder são as responsáveis por criar essa oportunidade que dá visibilidade a gastronomia uruguaia.

Belén comentou que a ideia do projeto surgiu justamente porque havia espaço no mercado para um evento que destacasse a gastronomia uruguaia. Depois de buscar referências em feiras similares em outros países, as gurias viram o potencial do projeto e decidiram investir em mais de um ano de planejamento, buscar parcerias e tirar do papel um plano ambicioso que tivesse o foco completamente concentrado na comida, aproveitando o interesse do público em experimentar coisas novas e participar desse tipo de eventos.

Quando perguntei quais foram as lições aprendidas com as edições anteriores, Belén mencionou que, sem dúvidas, um ponto que ficou bem claro foi a necessidade de planejamento para receber um número massivo de pessoas que comparece ao evento.

Alguns dos empreendimentos que estarão presentes na versão que acontece agora no final de setembro: Jacinto, Lucca, Volverás a mi, Futuro Refuerzos, Rolling Beat, Café Nomade, Crepas, Mercado Verde, Scarone Pizza, Glamburguer entre outros! É uma mescla de foodtrucks e estabelecimentos clássicos da Ciudad Vieja que se transportam para o WTC em Pocitos.

Degusto feira gastronomica Montevideu

Espera-se que mais de 2000 pessoas transitem pelo espaço do evento durante os dois dias. Eu, com certeza, marcarei presença e já aproveito para estender o convite para todos vocês! E se você tiver interesse de ir, já deixo aqui o link para o evento no Facebook. 


_________________________________________________________________________________


Oi gente! Meu nome é Luisa, sou gaúcha e gremista, mas, sempre digo que sou de Brasília. Já morei em 4 países diferentes, moro em Montevidéu desde agosto de 2014 e ainda não tenho data de partida. Sou formada em Relações Internacionais e atualmente não exerço a profissão. Adoro viajar, ler, cozinhar, rir. Sou apaixonada por internet, fotografia, música e seriados! Atualmente, estudo confeitaria no Colégio de Gastronomia Gato Dumas. Tenho muito carinho pelo meu blog de receitas: www.blogdalu.net. Sou curiosa, sempre topo conhecer um lugar novo e adoro compartilhar minhas aventuras no Instagram!


_________________________________________________________________________________

Visitando El Aguila: a parada mais inusitada do Leste

Já falei sobre Atlántida algumas vezes aqui no blog, um balneário bem gracinha que raramente aparece no roteiro dos viajantes. Ele fica ali do ladinho de Montevidéu, perfeito para um bate e volta rápido, barato e cheio de interessância. Também fica no caminho de Punta, uma parada estratégica para quem viaja de carro.

Para despertar a atenção do visitante seria suficiente dizer que Atlántida era o refúgio de Pablo Neruda, tem construções belíssimas, uma orla simpática com espaços para assistir um por do sol fantástico (sim, sou das miçangas de humanas e pisciana, mas acredite, o por do sol no Uruguai é mágico e conta como atração) e restaurantes com os preços mais camaradas da costa.

Em meio a tudo isso existe El Aguila, um lugar rodeado de mistérios e lendas, é impossível ficar indiferente à casinha em forma de águia olhando o horizonte do Rio de la Plata: quem inventou isso? Desde quando? Por quê esse desenho? Nossa, parece uma águia gigante mesmo, só que de pedra! Ih, fico meio claustrofóbica aqui dentro, mas que vista sensacional! Que viagem, hein? Foto! Outra mais! 

El Aguila em Atlantida no Uruguai

A primeira vez que visitei fiquei com todas essas perguntas e ideias na cabeça, recebi um folheto na entrada com algumas informações úteis, mas era muita curiosidade para poucas linhas e chegando em casa comecei a ler e descobrir outras coisas.

El Aguila em Atlantida no Uruguai
2011: minha primeira vez no mirante El Aguila!


A construção teria sido um capricho do empresário italiano Natalio Michelizzi, a mesma figura responsável pelo Edifício Planeta - aquele com forma de barco na orla de Atlántida e aqui escapa um suspiro para o tempo que ricos criavam coisas excêntricas porque sim, era legal ostentar com arte diferentona, vanguardista, arrojada, etc e tal.  

Sua forma curiosa deu espaço a diversas interpretações, muita gente garante que ali funcionou um laboratório de alquimia - universo super relacionado a história uruguaia, ainda preciso escrever sobre essas curiosidades que trouxeram até o Einsten para essas bandas do sul - e há ainda os convencidos que tratava-se de um esconderijo para nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Nenhuma dessas teorias foram confirmadas, o que se tem documentado mesmo é que o italiano pediu ao construtor Juan Torres um puxadinho no fundo do jardim do chalé que morava quando estava na cidade, encomendou um espaço pequeno de 2mx2m para colocar a imagem de uma santa que ele ia mandar trazer lá de Buenos Aires, seria uma espécie de gruta- mini capela, um lugar simbólico para colocar a virgem, nada mais que isso. 

O construtor, conhecendo o lado excêntrico e grandioso do Natalio, decidiu ampliar o projeto e fazer um comodo com o dobro do tamanho e teto. O empresário gostou das alterações e pediu para ampliar ainda mais a obra, abrindo uma arcada na lateral e levantando um quarto. Logo depois, entendeu que ali seria um ponto privilegiado para receber os amigos e resolveu agregar uma cozinha e um banheiro. 

Quando a obra terminou, segundo conta Juan Torres, o cliente contemplando satisfeito, fez um novo pedido: que elevassem uma águia e cobrissem com pedras para parecer plumas. 

E assim foi feito, a águia foi artesanalmente finalizada com produtos extraídos da região, mas a danada da imaginação do italiano não sossegava e ele achou que ficaria legal incluir a forma de um barco na parte inferior. Eu consigo imaginar a cara do Juan nesse momento rs!

A casa ganhou um varandão que lembra a proa de um barco e era onde o dono curtia seu dolce far niente junto aos amigos e a amada Marcela Benincampi (que muitos chamavam amante, posto que ambos eram casados em Buenos Aires, não existia divórcio naquela época e Marcela carregava o estado civil - e um bebê - de um casamento que durou pouco mais de 1 ano, era a secretária pessoal do Natalio, ou seja, elementos suficientes para limitar/ignorar o papel da mulher nos acontecimentos, mas não caiam nessa, Marcela foi companheira de vida e uma sócia competente nos negócios). 

El Aguila em Atlantida no Uruguai

A história real sobre a origem da casa - pelo menos a que dizem comprovada - não tem tantos mistérios com conspirações, magos, piratas ou nazistas como a crença popular ainda insiste em propagar nos dias de hoje. 

Mas quem vai dizer que o enredo oficial também não rende uma boa trama com amores, desamores, sonhos e excentricidades, né? O resultado é um lugar peculiar que é de uma lindeza só.

El Aguila - ou La Quimera como era chamada pelos donos - foi abandonada após a morte do Natalio e posteriormente da Marcela, parte da proa original desmoronou e em 2013 os moradores juntaram esforços e criaram uma ONG para preservar e proceder os reparos necessários. 

A casa está aberta para os curiosos visitantes, a entrada é gratuita e funciona desde 9h às19:30 no verão e 9h às 18h no inverno.

Está localizada na altura do km 43 da Ruta Interbalnearia, na Villa Argentina (a dois km de Atlántida). Tem placa na estrada sinalizando a entrada, não perca a chance de conhecer um dos lugares mais místicos do Uruguai, a vista para a baía e a inusitada ave de pedra sem dúvida valem o pequeno desvio. 

Abraço!

4 passeios diferentões em Punta e arredores

Todo ano quando as temperaturas começam a cair a caixa de e-mails começa a subir com dúvidas sobre Punta del Este: afinal, tem o que fazer quando o verão acaba ou não?


Dicas Punta del Este no inverno



Entendo que é difícil pensar na logística do roteiro quando a imagem que se vende é um balneário com atividades praieiras, corpos bronzeados e festinhas glamourosas no after beach, aí quando o inverno chega e a praia não pode ser mais a protagonista é comum ficar um espaço em branco nas ideias. 

Quem só conhece Punta no verão não consegue visualizar como a cidade se transforma no inverno, e vice-versa. São cidades totalmente diferentes, mas uma coisa é certa, dá para ser feliz e aproveitar muito a viagem em qualquer estação.

E hoje - com esse título apelativo hehe - quero trazer algumas propostas bacanas que fogem do conceito praia e dos clássicos pontos turísticos (aka Los Dedos, Igreja La Candelaria, Casa Pueblo, Conrad que também devem estar no seu roteiro) e pegam bem o ano inteiro para vocês não terem mais dúvidas se dá para aproveitar a cidade sem o pé na areia! :)

Vamos lá conhecer os passeios diferentões escolhidos?


  • Enoturismo
Vinho combina com inverno, não canso de dizer. E nada melhor do que uma degustação numa vinícola, conhecer os vinhedos e detalhes sobre o processo de elaboração é sempre um passeio gostoso.

Punta del Este conta com boas opções para fazer enoturismo, já comentei por aqui que a vinícola Alto de la Ballena é uma ótima opção para visitar na região e se esbaldar com os vinhos uruguaios.


  • Degustação de azeite de oliva
Faz um tempinho que as serras de Maldonado - o Estado onde se encontra Punta del Este - desponta na produção de azeite de oliva. 

O produto uruguaio está entre os melhores do mundo e a Colinas  de Garzón é um mega empreendimento, todo elegante e belo - a cara desse lado chique e badalado de Punta - que oferece visitas guiadas e degustações.

A Colinas de Garzón ainda merece um post só dela porque há um mundo de atividades por lá, além dos azeites maravilhosos, eles produzem vinhos excelentes e dentre as propostas de lazer tem até passeio de balão. Já pensou que sucesso voar pelo céu e olivares de Punta? 

A bodega fica a mais ou menos 1h do centro e dá para contratar o transfer (ou pacote completo já com degustações) nas agências de turismo locais. 

Para quem estiver com carro alugado (acho o melhor jeito para desfrutar a viagem, tem muita coisa interessante que está fora de Punta e é inviável fazer por conta/usando transporte público, por exemplo), a sugestão é fazer uma parada no meio do caminho em José Ignácio e curtir a vista do farol.


O que fazer inverno Punta del Este

  • Museu Rallí
O bairro Beverly Hills é mais conhecido por suas suntuosas mansões, mas guarda uma joia que poucos turistas brasileiros experimentam conhecer: o Museu Rallí.

Um acervo de alto nível num lugar maravilhoso, a casa foi construída especialmente para esse fim e conta com exposições permanentes de artistas latinoamericanos contemporâneos e grandes nomes do surrealismo, lá encontramos obras de Botero a Salvador Dalí. 

É um museu que vale a pena até para quem diz que não gosta de museu, sério. Os pátios internos são uma lindeza só, impossível ficar indiferente ao pátio que está cheio de esculturas, é uma graça. 

E a entrada é gratuita, palavrinha que faz os olhos brilharem em Punta del Este! 

Trata-se de uma entidade privada sem fins de lucro, fundada por um banqueiro aposentado e colecionador, o projeto em Punta foi o primeiro, hoje já são 5 museus ao redor do mundo (Chile, Israel e Espanha), não aceitam doações ou subsidios de terceiros e não têm nenhuma atividade comercial em paralelo, por isso não vemos livrarias, cafés ou lojinhas no local. O propósito é única e exclusivamente a difusão da arte. 


  • Fundação Pablo Atchugarry
Continuando nessa vibe das artes, a Fundação Pablo Atchugarry é outro lugar incrível que por algum motivo que não entendo raramente aparece no roteiro dos viajantes.

É uma instituição também sem fins de lucro e com ingresso gratuito, um projeto social e cultural levado adiante baseado no trabalho e prestígio do seu fundador.

Claramente um espaço de união entre arte e natureza, o mais impressionante é o parque de esculturas a céu aberto onde as obras e paisagens se complementam lindamente, apresentam obras de diferentes artistas nacionais e internacionais.

Além do parque aberto que já vale seu passeio, o espaço conta ainda com o atelier do Pablo, onde é possível visitar e eventualmente encontrá-lo em ação, salas de exposição, auditório e sala didática onde se promovem aulas de escultura, desenho, pintura, etc. 

Eu sei que já tem gente se perguntando se realmente vale a pena no inverno por conta da parte aberta e a resposta é sim. Inverno não é sinônimo de chuva todo dia, gente! Pode fazer um dia lindo de céu azulzinho e sol brilhando, só que frio. Ou um dia cinza e também frio. Eu só dispensaria a visita num dia chuvoso ou de muito vento, aí vai depender da sua sorte com o clima nos dias da viagem hehe.


***

Malas preparadas? Espero ter trazido algumas ideias novas para vocês aproveitarem ainda mais os dias frios em Punta del Este e arredores.

No meio do post já conseguia pensar em outras propostas e quem sabe antes do frio acabar pinta por aqui a parte 2 dos diferentões? :)

Abraço!

Colonia do Sacramento: pernoite ou bate e volta?

Uma das perguntas mais frequentes aqui no blog: vale a pena dormir em Colonia ou com um dia de bate e volta é suficiente para ver tudo?

Dicas Colonia do Sacramento

Colonia é sentimento, gente! Eu sei, ficou cafona, mas é isso. 

Não se trata de ver 'x' atrações em tantas horas, e sim curtir o clima gostosinho da cidade, se perder pelas ruas fofas e floridas do centro histórico, descobrir um cantinho seu, assistir o por do sol nas margens do Rio de la Plata, ver os farolitos acendendo com a chegada da noite, tomar uma cervejinha ou vinho em algum restaurante, viver sem pressa.

Por essas e outras, eu sempre vou recomendar o pernoite em Colonia. Acho uma maravilha a experiência de dormir e acordar lá.

Mas isso não quer dizer que o bate e volta seja uma opção menos interessante. Dá para ser muito feliz passando só algumas horas em Colonia, seguramente será um dos passeios mais bacanas da sua viagem.

Já fui algumas vezes apenas para passar o dia e foram passeios lindos, o que eu digo é que tendo a possibilidade de escolher, eu fico com a opção dormir. 

O que não recomendaria mesmo é deixar de conhecer esse destino, acho o lugar mais charmoso do Uruguai.

E aí a decisão do pernoite ou bate- volta fica por conta do seu tempo e orçamento! ;)


Como chegar:

Saindo de Montevidéu são 177km de estrada em ótimo estado, é fácil e seguro para quem vai dirigindo.

De ônibus esse trajeto é feito entre 2h30 e 3h. 

A passagem custa 337 pesos uruguaios (mais ou menos R$60 - apenas um trecho).

A frequência diária é intensa: desde 5 da manhã até meia noite os ônibus partem da capital praticamente a cada 1h. Veja os horários e empresas nesse link da rodoviária Tres Cruces.


Por conta própria ou de excursão?

Tudo vai depender do nível de conforto que você deseja. Uma coisa é ter uma van te esperando na porta do hotel e um guia te acompanhando durante todo o passeio e outra coisa é se virar sozinho com tudo o tempo todo.

Mas Colonia - ao contrário de Punta del Este, por exemplo - é um destino super prático para quem deseja se aventurar por conta própria: basta subir no bus em Tres Cruces, descer na rodoviária de Colonia, dar uns poucos passos e encontrar as ruas mais fofas do centro histórico.

Indo por conta fica bem mais econômico, claro. E para quem não dispensa um guia explicando tudo, é possível fechar um walking tour na cidade.


Onde hospedar-se:

O primeiro lugar que passa na minha cabeça é a Posadita de la Plaza, projeto do Eduardo e Camile, dois gaúchos queridíssimos.

Fiz um post completo com nossa passagem pela pousada logo quando inauguraram, e hoje, um ano depois, eles seguem colecionando excelentes comentários em todos os meios. Vale a pena checar. 

Dica hospedagem Colonia do Sacramento

Outra opção que me agradou bastante foi a Don Antonio Posada. Também tem post especial aqui.


Onde comer:

Nesse post tem dicas preciosas para comer bem em Colonia.

Já anota aí o Charco Bistrô, Lentas Maravillas e corre lá para ver mais! :)


Como seguir viagem para Buenos Aires

Escrevi um texto comentando as possibilidades de transporte ligando o Uruguai e Argentina.

A viagem de Colonia até a capital portenha é rápida - 1h - e barata, veja todas as dicas nesse post.


***


Espero ter conseguido ajudar nas dúvidas e que a passagem de vocês por Colonia del Sacramento seja bem especial! :)

Abraço!


3 destinos para curtir o inverno no Uruguai

A natureza foi bem generosa com o Uruguai, é o que a gente constata feliz depois de cruzar o país de uma ponta a outra.

O território pequenino a primeira vista nem de longe revela a variedade de destinos e atrações que encontramos pelo caminho. 

Somado a isso, as estações são bem definidas, o que torna cada viagem diferente dependendo do mês de chegada e partida, não é a mesma coisa chegar em janeiro ou julho e o mais lindo é que cada época tem seu encanto próprio.

Agora é tempo de inverno que já chegou trazendo muito frio e novas possibilidades de passeios.

Inverno-no-Uruguai

Eu teimo em associar o frio com romantismo, vinho e comida abundante, talvez por ser de uma terra tropical, o inverno ainda guarda um quê de magia e beleza, ainda fico embasbacada como num dia está tudo verde, quente, cheio de energia e meses depois a paisagem nos abraça com muito cinza e quietude.

Mas deixo de divagar por aqui, e ampliando minha percepção do inverno hehe, trago três destinos que combinam lindamente com essa estação para quem vem curtir as férias nos próximos meses.


1- Villa Serrana

Perfeito para quem tem pouco tempo, dá para fazer uma day trip numa boa passando pelo centrinho da cidade de Minas - e fazendo uma parada básica na fábrica de alfajor Sierras de Minas, acho o melhor alfajor uruguaio - e depois seguindo para as serras.

A vista das serras é deslumbrante, um lugar que respira paz com uma imensidão de verde ao redor.

A região é bem conhecida entre os amantes do turismo místico, estudos já comprovaram que há mesmo uma energia diferente por lá.

Acreditando ou não, é impossível não sair mais leve depois de algumas horas - ou dias - em contato com a natureza. 

O que fazer no inverno no Uruguai
Demais essa vista! Reserve o almoço no imperdível Ventorillo de la Buena Vista, um ícone do turismo e arquitetura no país.


Optando pernoitar, a hospedagem geralmente se dá em simpáticas cabaninhas com lareiras.

Não esqueça de passar no mercado em Montevidéu e se abastecer com vinhos e queijos (os queijos nacionais são de ótima qualidade, vale pedir um parmesão e um colonia que não tem erro). 

Ops! Tentei, mas não resisti ao combo frio + vinho + comida, de novo! 

Tem post no rascunho com nosso bate e volta em Villa Serrana (com destaque para o almoço no Ventorillo) que sai logo mais, por ora você pode ver mais info nesse post antigo.

Adianto que é um destino que não funciona ir por conta própria usando transporte público pela dificuldade de acesso entre o centro e as serras (da capital até Minas é super fácil e barato, mas de Minas as serras - que pra mim é a graça do passeio mesmo - as opções não são tão frequentes), então vai ser mais gostoso se alugar um carro ou fechar uma excursão.


2- Salto

O paraíso das águas termais no Uruguai, um destino pouquíssimo explorado pelos viajantes brasileiros.

Fica longe da capital, bons 500km separam as cidades, talvez por isso as pessoas não se animam tanto a incluir no roteiro. Mas é uma opção excelente com um custo bem interessante para relaxar no maior estilo: prepare o roupão de banho e vire peixe nas piscinas quentinhas.

O passe que dá direito a um dia inteiro de acesso às piscinas das Termas de Daymán custa em torno de 10 reais, uma pechincha.

Conheça mais sobre o destino clicando aqui e aqui.

Para quem tem pouco tempo, uma opção para otimizar é pegar o ônibus que sai meia noite da rodoviária de Montevidéu e chega por volta das 6h no centrinho de Daymán que é uma pequena vila a 10km da cidade de Salto com toda a estrutura para o turista com hotéis e restaurantes.


3- Carmelo

Carmelo é amor, né? Dos meus destinos queridinhos no paisito.

Recentemente foi 'descoberto' pelos turistas e tem dado o que falar nas mídias, aqui tem quem aponte como a Punta do oeste em razão das propostas tentadoras e de alto nível, até o jornal The New York Times se deixou enamorar e fez referência à cidade como uma Toscana em miniatura, achei chique. 

A verdade é que o lugar é uma delícia para curtir a boa vida e se mimar. Se você está procurando um destino para lua de mel no Uruguai, considere Carmelo e seus charmosos hotéis e vinícolas boutique como uma opção.

Mas não pense que Carmelo é metida a besta, ela pode ter essa coisa elegante-rústica no campo do turismo, mas ainda é de verdade e com essência uruguaia (sim, acho Punta del Este bacana, coisa e tal, mas demasiado cool-ostentação, o que me cansa um pouco).

Veja tudo sobre o destino nessa série de posts.


***

E aí, já conheciam esses destinos? Estão preparados para viver o inverno uruguaio? Não vai faltar frio, passeios e paisagens lindas! 

Lembrando que tem dicas para curtir o inverno também em Montevidéu nesse post.

Boa viagem, gente! :)


O domingo em Montevidéu

O domingo em Montevidéu é uma polêmica antiga na blogosfera viajante, basicamente corre o boato que é um dia perdido sem muito o que fazer na cidade.

Eu já comentei em outras oportunidades que discordo dessa ideia, não por ser algo totalmente equivocado, de fato o domingo em Montevidéu tem poucas atrações abertas e restaurantes badalados funcionando, mas eu não acho que isso implica em falta do que fazer.

Pra mim domingo é quando Montevideo mais se veste de Montevideo, o dia da semana mais autêntico do jeitão uruguaio de ser.

O ritmo é mais devagar, tem feira, tem almoço mais tarde e demorado, tem mate (chimarrão) e roda de amigos, tem passeio na rambla, aconchego e confidências. 

Lembram que contei da rebeldia mansa dos dias de janeiro? Dá para aplicar de um jeito mais suave aos domingos também. 

Roteiro Montevideu no Domingo

Diariamente eu recebo e-mails pedindo dicas de lugares/atividades fora da rota tradicional para conhecer, cada vez queremos viver experiências mais próximas do cotidiano local e isso é maravilhoso. 

Mas ao mesmo tempo vejo também que é grande a frustração que as pessoas sentem com uma agenda aparentemente vazia, tem gente que tem uma aflição danada por ticar ponto turístico, por estar em todos os lugares, por dizer que viu/foi em tudo.

Se serve de consolo, foram mais de 4 anos vivendo em Montevidéu e eu não vi tudo. Acho que nem os montevideanos de nascença já viram tudo. 

Então relaxe, entre no clima paz e amor do domingão e vá ser feliz curtindo um dia de descanso, comilança, passeio em feiras, mercados e espaços públicos. 

Roteiro Montevideu no Domingo

Reparem como Montevidéu tem cheiro de lenha queimada aos domingos, há um fumaceiro pelas ruas, é a parrilla acessa nas casas, tenho uma teoria que o churrasco é mais gostoso aos domingos, tem gosto de reunião com amigos e família. 

Nesse post há uma lista com minhas 5 parrillas prediletas e nesse outro post vocês encontram as escolhas da Luísa, amiga querida e cozinheira profissional que me acompanha nas buscas dos melhores restaurantes. 

Se carne não te apetecer, não se preocupe, domingo também é dia de massas. Faça fila nas casas de pastas artesanais e leve o almoço quase pronto para casa. 

Minha preferida é a Fabrica de Pastas Blanes, cruzava a cidade de Malvín até o Parque Rodó só para garantir ravioles e sorrentinos frescos (dica para quem aluga apartamento ou fica em hotel com cozinha, se não for seu caso, eles têm um restaurante simples e bem familiar que vende as massas, mas o atendimento não é tão rápido nem sai tão em conta quanto comprar na fábrica).  

Observem como a rambla fica mais cheia nos finais de tarde de domingo (quando o clima está favorável, claro), as pessoas vão com cadeiras, garrafa térmica e mate e passam horas como se estivessem na varanda de casa. Alugue uma bicicleta e pedale o máximo que puder, não vá embora antes do por do sol.

Não tinha nenhum evento, era 'só' um domingo de sol.


Aproveite o dia para passear nos parques e feiras, aproveite a noite para ir tomar uma cervejinha (já viu nosso Guia de Montevidéu? Tem uma parte todinha com dicas preciosas de lugares para curtir a vida noturna na capital) ou experimente ir ao teatro, o belíssimo Teatro Solís tem programação intensa o ano inteiro, inclusive com apresentações aos domingos, não deixe de conferir a agenda no site oficial.

Outra opção para passar o domingo em grande estilo é fazer enoturismo, as vinícolas Bouza e Juanicó, por exemplo, oferecem visitas guiadas e degustações. Um passeio imperdível no seu roteiro qualquer que seja o dia da semana.

Viu quanta coisa? E ainda não terminei, queria fazer uma introdução para um roteiro de domingo e o assunto rendeu rs! 

Segura que vai ter a parte 2 com mais dicas e sugestões de atividades divididas em manhã, tarde e noite para ficar mais organizadinho e acabar com essa conversa que domingo é um dia perdido em Montevidéu, tá? :)

Abraço e até breve!

Da distância e o blog

Abril passou e não teve nenhum post no blog, acredito que foi a primeira vez que um mês inteirinho correu sem que houvesse atualização por aqui.

Quem me acompanha nas redes sociais já sabe os motivos do sumiço: março foi intenso, trintei, casei no civil, tive despedidas e mudança. Daí abril foi tempo de acomodar as ideias e começar uma vida nova, de novo.

Dicas Montevideu



Nos mudamos de apartamento, de cidade, de país. Sim, de país. Não estamos mais no Uruguai e no momento não sabemos quando voltamos.

A mudança foi por trabalho, Pablo recebeu uma proposta de transferência e viajantes que somos recebemos a oportunidade de braços abertos.

Um final de semana de pesquisas foi suficiente para apostarmos no sim e em pouco mais de um mês já estavamos no aeroporto de Carrasco voando com destino a Medellín.

Nenhum dos três conheciam a Colômbia e no próximo dia 08 completamos um mês nessa aventura. 

Está sendo uma experiência interessante e desafiadora, não é fácil sair da zona de conforto, sobretudo quando há um bebê no meio, mas estamos bem, aprendendo e amando.

Quanto ao blog, muita gente tem perguntado o que vou fazer, se vai acabar, dar uma pausa, continuar: eu não penso em deixar de escrever, enquanto for divertido e eu tiver o que falar, compartilhar, estarei presente. 

Não é a primeira vez que saio do Uruguai, passamos o ano de 2013 na Irlanda e o blog permaneceu atualizado, e olha que na época tinha menos textos no rascunho do que tenho hoje. 

Não conseguiria me desconectar do paisito nem se quisesse, marido é uruguaio, filha é uruguaia e meu coração também tem sua parte uruguaia. Montevidéu é meu lugar no mundo, um lugar que está longe de ser perfeito, a gente bate cabeça direto, se desentende e reinventa.

Não sei até que ponto é amor ou teimosia, só sei que eu vou, mas volto.

E nesse tempo o Viver Uruguay vai continuar trazendo conteúdo original em todas as redes: blog, facebook e instagram. 

Logo a rotina fica firme - ainda estamos naquela fase de procurar apartamento, turistar, etc e tal - e os posts novos começam a sair! :)

Para quem perguntou se vai ter blog da Colômbia, vai sim. Foi escrevendo que muitas vezes encontrei a calma para encarar os perrengues de viver em outros cantos. 

É um exercício que além de me mostrar que tenho mais motivos para agradecer do que reclamar,  ao longo dos anos trouxe tanta gente linda e querida que é impossível não querer compartilhar mais e mais.

Já temos perfil lá no Instagram (@vivermundo) desde o ano passado quando a Colômbia nem existia nas nossas vidas e eu já queria retomar os textos de viagens sacudindo a poeira do meu primeiro blog que existe desde 2009.

Vou adorar a visita de vocês nas duas casas: Viver Mundo e Viver Uruguay.

Muito obrigada pela paciência e companhia! Seguimos em contato! :)


Programas televisivos uruguaios

Há pouco mais de 2 anos decidimos abandonar a televisão de casa, ainda temos o aparelho pendurado na sala, mas não temos antena e a imagem que aparece na tv aberta é tão chuviscada que nem com muita boa vontade dá para ver alguma coisa.

O título desse post pode soar contraditório, eu sei. Mas é que abri mão da tv de todo dia, daquela enxurrada de negatividade diária que os telejornais jogam em cima da gente. 

Queria poder dizer que com a tv desligada ganhei tempo extra e passei a ler mais ou até mesmo dormir mais, o que não seria nada mal para quem tem um bebê de 18 meses que ainda acorda a noite.

Continuo gastando tempo vendo notícias e bobagens, só que escolhendo as fontes e a hora.

Se fosse definir a tv aberta uruguaia em uma palavra seria sofrível, os programas matinais são de chorar, nunca tive paciência. Acho tudo uma mistura esquisita de Ana Maria Braga, Sônia Abrão e Eliana. Muita coisa exibida durante o dia inteiro é produção argentina e olha, não é legal haha. 

A estrutura dos jornais é parecida ao que via no Brasil, talvez a apresentação aqui seja um tiquinho mais leve no sentido das formalidades. Os comentaristas esportivos quando tratam de futebol acho bem exagerados e apaixonados, mas né? Uruguaio falando de futebol.

E novelas nunca acompanhei nenhuma em todos esses anos, praticamente não tem produção uruguaia, geralmente é novela colombiana ou argentina (me pergunto como os hermanos do outro lado do rio fazem filmes incríveis e novelas tão caidinhas em produção e elenco, nao vou nem entrar no mérito do enredo).

Tem um tempo está na moda novelas turcas e sempre passam as brasileiras, costumam fazer sucesso, apesar da dublagem e diferenças culturais.

E no meio dessa loucura toda há 3 programas que eu ainda paro para ver e eles mostram o Uruguai sob o olhar dos uruguaios. 

Dá para assistir online e além de conhecer o país com outras abordagens, é ótimo para treinar o espanhol.

Então pega a pipoca e vem ver! :)


1- Camara Testigo

Preciso confessar que tinha uma aflição com o olhar 43 do apresentador em todas as chamadas, mas foi só conhecer o trabalho dele para abrir mão da birra. Acho o programa muito interessante e com conteúdo rico.

Eles trazem várias problemáticas sociais onde os personagens das comunidades são protagonistas. Tinha tudo para ser sensacionalista e tendencioso, mas não é. Conta-se casos reais, fortes, outros curiosos e mais leves, sem a necessidade de apelar ou romantizar cada história. 

Uma amostra do programa com esse especial sobre o carnaval uruguaio que ficou lindo! Link para mais vídeos aqui



2- Súbete a mi moto

É um programa local que parece não ter um roteiro, as coisas parecem improvisadas e a graça está nisso. Ok que muitas vezes é bem bobo e rolam uns jabás péssimos, mas em outras mostram os uruguaios sendo uruguaios de um jeito bem honesto e fiel.

O apresentador é muito querido e onde chega as pessoas querem interagir, são muitas imagens que passam desde festivais no interiorzão do país com seus costumes, músicas e comidas típicas até as festas com o pessoal xovem na capital e praias badaladas nas férias de verão.


Link com mais vídeos aqui.


3- Tiranos Temblad

Esse na verdade é um canal no Youtube que tem tanta popularidade como um programa da tv aberta.

Já faz alguns anos o Tiranos Temblad apareceu causando o maior furor no Uruguai, todo mundo comentava, ria e compartilhava os vídeos. 

Eu demorei um pouco para entender o humor e a proposta, a princípio achava que o cara estava zoando geral: toda semana ele fazia vídeos com o que as pessoas compartilhavam sobre o país no Youtube, uma coletânea com tudo que fazia referência ao Uruguai, podia ser adolescentes gringos fazendo trabalhos de espanhol para a escola, turistas conhecendo Montevidéu, um churrasco de amigos, uma banda tocando, coisas comuns e banais do cotidiano.

Segundo o criador do canal, a ideia é justamente essa de mostrar o simples e corriqueiro, é ver as pequenas coisas que acontecem ao nosso redor e não têm lugar na tv. 

Dou boas risadas a cada episódio novo - que hoje é menos frequente - e sempre tem brasileiro aparecendo (as vezes até blogueiras famosas que acredito não fazem a menor ideia). 



***

Espero que se divirtam com os programas, os 3 tem formatos bem diferentes, mas dá para ver um pouco o Uruguai que passa na telinha das bandas de cá! :)

Abraço!

A Fortaleza del Cerro: Mirante e museu

Uma atração que fica um tanto isolada, meio fora de mão para combinar com outros passeios, mas que guarda muitas curiosidades sobre a época colonial do país e oferece uma vista da cidade que compensa cada minuto do deslocamento.

Dicas de Montevidéu

A Fortaleza del Cerro é um museu militar que fica no ponto mais alto da cidade (134 metros sobre o nível do mar), o único morrinho que a gente vê com facilidade nessa Montevidéu predominantemente plana.

Pela localização privilegiada com vistas à baía, nos primeiros anos de 1800 foi construído um farol que servia como ponto de observação e controle do território, além das constantes ameaças portuguesas, a cidade foi alvo também de invasões inglesas, que levaram a construção de uma fortaleza em volta do farol.

A área hoje abriga o Museu General Artigas que fica aberto ao público de quarta-feira a domingo no horário das 10h às 16h. A entrada custa 60 pesos uruguaios e no acervo histórico encontramos vários documentos, mapas, uniformes, canhões, etc.

Fortaleza del Cerro em Montevidéu

Fortaleza del Cerro em Montevidéu

Fortaleza del Cerro em Montevidéu

Fortaleza del Cerro em Montevidéu

A fortaleza é um mirante que mostra Montevidéu com a zona portuária em primeiro plano, o que dá um toque único, a cidade aparece com outra cara.

Muita gente me pergunta se vale mais a pena o mirante da prefeitura ou do cerro e não dá para responder qual vista é mais bonita, as panorâmicas que encontramos em cada ponto são bem diferentes.

Fortaleza del Cerro em Montevidéu

Fortaleza del Cerro em Montevidéu

Para quem está com as horas contadas, o mirante da prefeitura é mais prático, está ali no meio da Avenida 18 de Julio onde todo turista vai passar sem fazer esforço.

A fortaleza vale para quem tem tempo de sobra ou já conhece a cidade e quer um passeio diferente, também se encaixa bem no roteiro de domingo quando os turistas têm dificuldades para encontrar atrações abertas.

* Spoiler: vai ter post especial com dicas para o roteiro de domingo em Montevidéu porque eu sei que vocês gostam, presentinho do mês de aniversário do blog e já aproveito o espaço para fazer jabá do nosso guia com roteiros completos para 5 dias que pode ser adquirido aqui.

E para terminar, levem em conta que o bairro do cerro não é o mais seguro da vida, não é um lugar para flanar perdido procurando um lugarzinho para comer depois da visita nem para ficar bancando o turista andando com a camera giga pendurada no pescoço.

Mas na área da fortaleza é relativamente tranquilo, é uma área militar, em volta da construção tem muito verde e no fim de semana fica cheio de gente aproveitando o dia.

Você pode chegar lá de ônibus, veja em qual parada tem que descer - dá para checar no app Cómo Ir da prefeitura - e na dúvida peça ajuda ao motorista (apesar de eu achar MELHOR pegar um táxi na Ciudad Vieja, desde o Mercado do Porto a corrida não é muito cara, não deve custar mais de 30 reais e aproveite para combinar a volta ou tenha o app da Easy Taxi ou Ubber instalado no celular).

Nenhum ônibus vai te deixar na porta da fortaleza, lembra que eu falei que fica no topo do morro? Então, todo ônibus vai te deixar a umas 3, 4 ou 5 quadras e aí é perna pra que te quero até chegar na entrada do museu.

Endereço: Avenida José Batlle y Ordoñez, 12800.

Bom passeio! :)


Morando em Montevidéu: 'Produtos brasileiros'

Um post dedicado aos brasileiros que vivem em Montevidéu e ainda não sabem onde encontrar os 'produtos brasileiros'. 

Coloco entre aspas porque na verdade são produtos que encontramos em qualquer supermercado da capital e estão obviamente com um nome ou apresentação tão diferentes que as vezes nos deixam em dúvida se são as mesmas coisas que consumíamos no Brasil.

Eu gostaria de ter lido isso há alguns anos atrás quando eu morria de saudade de tapioca e não tinha coragem de trazer um pó branco suspeito na mala rs! Depois que descobri que dava para fazer uma tapioca bem nordestina com a fecula de mandioca a saudade de casa ficou mais leve.

Porque não sei vocês, mas eu sou do tipo que encontra conforto na comida. Me adaptei muito bem a comida uruguaia, sou feliz comendo guiso de lentejas, revuelto de zapallito e pascualina, de verdade. 

Mas em dias de saudade doída sentir o cheiro de uma moqueca no fogo não tem preço, é um afago na alma, estreita a distância, arranca um sorriso bobo de lembranças.

Produtos brasileiros em Montevidéu

Na foto uma tarde baiana na cozinha da Lu, eu e minha mãe fomos lá cozinhar e tem a receita dessas delícias nesse link

Vou dividir algumas dicas, começando pelos nomes de alguns produtos:

Polvilho = Fecula de mandioca, dá para usar para fazer pão de queijo, crepioca ou tapioca. Para fazer tapioca é só hidratar e peneirar, vai ficar como a goma e aí vai direto para a frigideira.

Fubá = Harina de Maíz / Crema de Maíz

Mungunzá (milho branco ou amarelo para canjiquinha, acho que o pessoal de SP chama assim) = Mazamorra

Trigo para quibe = Trigo burgol

Tâmaras = Dátiles

Feijão = Poroto, o preto acho igualzinho, já o carioquinha o mais parecido daqui é o que chamam poroto frutilla.

Farinha para farofa = Harina de mandioca, ela crua é feia, é dura, é cara e assusta qualquer brasileiro que conhece farinha boa, mas refogadinha quebra um galho. Vende farofa pronta, mas me recuso hehe.

Certeza que estou esquecendo muita coisa e conto com ajuda nos comentários! :)

Todos esses itens - do polvilho ao feijão - encontramos nas grandes redes de supermercado, no Tienda Inglesa, Devoto, Disco, etc, mas é muito mais barato comprar nas feiras de bairro ou lojas de produtos naturais como o El Naranjo.

Falando em feiras de bairro, converse com os feirantes, o pessoal traz tudo da fronteira com o Brasil, conheço gente que já encomendou até quiabo (oi, Carine)! 

São nessas feiras que compramos leite condensado (leche condensada). De novo, vende no supermercado, mas você não vai querer pagar 146 pesos (aham, bons 17 reais uma latinha de leite condensado) quando o amigo da feira faz um esquema por 60 pesos. 

Em toda feirinha tem um posto com produtos de limpeza, grãos e enlatados, se o leite condensado não estiver por aí, pergunte, faça um pedido. O mesmo para azeite de dendê e leite de coco (o azeite nunca vi nos mercados, já o leite tem sempre, tem o coco seco natural também, ficando a opção de fazer o leite caseiro).

Deixe para comprar nas feiras também nossas frutas exóticas, no caso banana, abacaxi, manga. São caras em toda Montevidéu, mas nos supermercados são abusivas: a metade de um abacaxi custa bons 8 reais. 

A banana vendem a equatoriana e brasileira nas feiras, a brasileira sempre vale menos. Nos mercados costumam vender apenas a do Equador e o kg pode chegar a 80 pesos, basicamente cada banana dessa vai custar 2 reais (socorro!). 

Na feira o kg da banana brasileira oscila entre 35 e 45 pesos. No Mercado Agrícola ela tem preço de banana mesmo: 29 pesos o kg, não compro em outro lugar.

Em geral acho o Mercado Agrícola um tiquinho mais barato que a feira do bairro (do meu bairro, né? Não ando em todos os cantos pesquisando preço), é longe, mas continuo encarando como um passeio para a família toda.

É lá onde compro todas as farinhas e coisas a la Bela Gil, mais especificamente no El Naranjo que é amor, é vida rs! Anotem esse nome e economizem uns pesos (não é jabá, mas se quiserem me patrocinar, beijo, me liga). 

Lá compro o milho branco do mungunzá, polvilho, fubá, semente de chia, curcuma, farinha de arroz, farinha de linhaça e para não ficar só bancando a saudável, também garanto meu doce de leite maravilhoso da Narbona (não vende nos supermercados) e os melhores azeites de oliva com preços bem mais em conta.

Onde comprar produtos brasileiros em Montevidéu

E se você também tem filhos de fraldas, vai achar incrível os descontos da pañalera Natal (que assim como o El Naranjo tem em outros pontos da cidade, mas o MAM é tão lindo que reune tudo num lugar só para a economia ser completa).

Esses são os produtos que uso na cozinha aqui de casa, conseguimos equilibrar bem os sabores tupiniquins e charruas, se você chegou agora e está achando difícil acostumar com o ponto do sal e temperos, tenha paciência e não se feche apenas nas opções brasileiras.

Descobrir um novo país pela culinária é uma viagem riquíssima, experimente e tente cruzar a linha do churrasco e doce de leite, o inverno chega logo mais trazendo as cazuelas e guisos, vamos aproveitar! :) 

Abraço!

3 livrarias para conhecer em Montevidéu

Um post curtinho, mas com dicas preciosas para quem ama livros e ama descobrir novas livrarias.

Fiz uma lista com minhas três livrarias preferidas em Montevidéu, são lugares com estilos totalmente diferentes onde podemos passar horas fuçando as prateleiras e descobrindo vários tesouros.

O bacana é que dá para encaixar facilmente nos roteiros, as três são super bem localizadas, não tem desculpas para não visitá-las.

Vamos lá? :)

  • Librería Más Puro Verso  
Fica no comecinho da Peatonal Sarandí, todo turista passa em algum momento da viagem nessa simpática rua de pedestres da Ciudad Vieja, a maioria pode não saber que por trás da fachada bonita do edifício 675 está a livraria mais incrível da cidade.

Livrarias em Montevidéu

Livrarias em Montevidéu

É uma ótima opção de descanso após um dia intenso de passeios na região: no segundo andar da livraria tem um café aconchegante para recarregar as energias.

  • Babilonia Libros
Na meio da famosa feira Tristán Narvaja encontramos a livraria mais diferente que já conheci, tem plantas entre os livros, chão de pedra, exemplares únicos, verdadeiras raridades, um tanto de poeira e otras cositas más

A dica é: entre e se surpreenda também! 

Livrarias em Montevidéu

Na foto a querida Luísa - do Blog da Lu - garimpando uns livros na Babilonia.

Endereço: Tristán Narvaja esquina Mercedes


  • Yenny Pocitos
A Yenny é uma dessas livrarias comerciais que encontramos nos shoppings de toda capital (inclusive está presente no Punta Carretas Shopping), seria mais uma opção comum se não fosse o charme da localização em frente a rambla de Pocitos e contar com um café Oro del Rhin funcionando lindamente lá dentro com mesinhas que dão para o calçadão.

Quem resiste ao combo livros + a torta alfajor mais maravilhosa dessa Montevidéu + vista para o apaixonante Río de la Plata? Eu não resisto e espero que você, caro leitor, também não! :)

Endereço: Rambla República del Peru esquina Bvar. España


***

Boa leitura, bons cafés e boas descobertas! :)