Domingo: Roteiro em Montevidéu

Era um domingo comum, sem grandes planos mais que nos reunir em família, meus sogros nos visitavam do norte, fazia tempo não iam à capital. Decidimos almoçar fora e despretensiosamente dar uma volta na Ciudad Vieja, nosso apartamento temporário era mesmo vizinho, ficava ali nas voltas do Palácio Salvo.


Descemos e fomos caminhando até a 18 de Júlio que aos domingos amanhece mais lenta e menos ruidosa, comércio majoritariamente fechado. As oficinas idem, não tem aquele vuco de trabalhadores, turistas, ônibus. Se agradece apreciar pausado, 12 anos se passaram e ainda sou capaz de ver novas fachadas ainda que sejam as mesmas, um detalhe especial aqui, um lamento de abandono acolá: a 18 é um prato cheio. 


Em poucos minutos já estávamos no hall do Palácio Salvo, a pequena se divertia imaginando histórias para as esculturas de ferro entre os arcos. Vichavamos o movimento dos moradores, a beleza do prédio num misto de decadência e imponência. 



Cruzamos a Plaza Independência, outras famílias faziam da praça um playground. Saudamos Artigas e cruzamos o portal da Ciudadela sem nada em mente do que fazer, apenas fazendo. Caminhos nossos. A estética da vida se mantinha sem pressa, mtas persianas fechadas, uma ou outra companhia fazendo próprios caminhos. 


O colorido da praça,  muros que dizem, resistem. Outra praça, a Matriz, árvores, fonte, nossa criança saltitante. A igreja aberta. Entramos. Fresco, silêncio e fé. Que seria de mim, meu deus / Sem a fé em Antônio, cantei com Bethânia. 



Da Sarandí de repente chegamos na Perez Castellano, cenário gastronômico da Ciudad Vieja. Fome já apertava. Caminhamos até o Mercado para ver, é bonito e faz parte da memória da cidade. Eu não gosto do mercado, a blogueira polêmica. Não gosto. Acho caro e a abordagem quase sempre inconveniente. 

Mais de 5 anos não ia lá, meus sogros bem mais. Minha filha mais velha, montevideana nata, no alto dos seus 7 anos não tinha essa memória. Fomos pegos pela nostalgia. Decidimos almoçar por lá. Escolhemos o El Peregrino que tem uma decoração original, atendimento simpático. 

A criança amou o universo de sereia, pescador, pirata. Um piano para tocar no salão, falou por dias. Comemos e foi gostoso como experiência em família, passeio na cidade com os avós, quem sabe daqui 10, 20, 30 anos ela pare lá movida nesse mesmo grau de nostalgia, mais que pela experiência gourmet (que pra gente acontece mais facilmente fora do mercado). 



Saímos e visitamos também o Mercado de los Artesanos, esse um pouco menor que o tradicional lá da Plaza Cagancha. Seguimos para o postre num café querido: o Federación

Um casarão desses da Ciudad Vieja, corredor colorido cheio de lambe. Os pães são as estrelas da casa. Fomos de bolo, alfajor e cookie. Bom atendimento mesmo depois do movimento intenso do brunch. 


A passos dali fica o Sometimes Sunday Café, outro clássico. Entre eles a livraria Moebius (fechada aos domingos) e talvez a quitanda mais fotogênica - e fotografada - a Mariscala. 


Nesse trecho tem ainda o La Fonda que a gente fala desde 2014, o filho mais novo do Es Mercat, o Almacén com um menu caserinho e acessível, e também o bar Alvarez com buenas pizzas e buena onda. O trecho mais guloso e movimentado do dia. 

Já posso dizer que entreguei tudo nesse post hehe. É desse jeito que funciona nosso Guia Digital de Montevidéu, a cidade decifrada com dicas que transformam sua viagem, uma curadoria fruto de mais de uma década de experiências nesse pedaço de mundo. Na compra você ainda colabora com esse projeto independente que traz conteúdo honesto e afetivo do Uruguai <3

O passeio não acabou aí, seguimos de volta ao apartamento agora bordeando a rambla. Sentindo o vento que sopra e move o Rio de la Plata. 


Subindo até o mítico encontro das ruas Durazno e Convención, eternizada nos versos do Jaime Roos, mas isso já é tema para outro post, por hoje fico por aqui na esperança que o passeio despretensioso de ser roteiro (mas que dava um e virou título chamativo desse texto) te inspire por aí.



Abraço e boa aventurança! 

Um comentário

  1. Oi! Adoro passar aqui e ler o que tu escreves! Parabéns mesmo! Tens um talento e uma delicadeza em escrever, que me faz estar vivendo Montevideo novamente! Q cidade linda e acolhedora! Diria que o Uruguay tem meu coração! Por favor, continue escrevendo!!!
    Forte abraço!

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