Não é novidade que um dos meus passeios preferidos é passear nas rambla.
Mas "passear nas rambla" é algo muito abrangente, a orla é enorme e se você não for um super maratonista, será difícil caminhar por toda a rambla em apenas um dia.
O pedaço mais visitado pelos turistas é o que corresponde a orla de Pocitos e Punta Carretas. Muita gente não visita às ramblas na parte mais antiga da cidade e acaba perdendo um bom passeio.
Meu lugar preferido nessa parte menos moderna fica na Rambla Gran Bretaña e Rambla Francia, já quase chegando no porto e Ciudad Vieja para quem vai pelo caminho da orla, é claro.
Mais precisamente na área entre o Dique Maua, o Cubo del Sur e La Chimenea.
Dessa parte da rambla também podemos contemplar um belo por do sol e ter a companhia sempre agradável do Rio de la Plata.
Como não amar essa vista?
Como não amar essa vista?
La Chimenea por Pablo Piriz (fotógrafo oficial do blog rs)
A área conhecida como Cubo del Sur guarda detalhes importantes da história uruguaia: a fundação da cidade de Montevideo lá pelos anos 1700 e bolinhas foi tardia se compararmos com as cidades coloniais vizinhas, isso ocorreu porque os espanhóis só deram atenção a esse lugar quando os portugueses começaram a disputar tal território visando expandir seus negócios (e eles foram persistentes, lembram que a fofa Colonia del Sacramento foi fundada pelos portugueses?), diante das constantes ameaças de invasão foi necessário construir fortificações para proteger e manter a cidade sob o domínio da coroa espanhola.
Cubo del Sur por César Améndala, foto internet
Montevideo, ou o que hoje conhecemos como o bairro Ciudad Vieja, era cercada por uma muralha.
No desenho da cidade "las murallas remataban al norte y al sur con sendos baluartes defensivos llamados "cubos", de forma semicircular, de los cuales el segundo mencionado aún subsiste, en la Rambla Sur, frente al Templo Inglés. Cada tantos metros había baterías en la línea de defensa."
Encontrei esse vídeo com uma projeção de como era o desenho na época, é pouco dinâmico, mas dá para entender melhor o formato do que com a descrição acima rs.
Se você ficou na expectativa de ver grandes muralhas, conto que encontrará apenas fragmentos como por exemplo a porta da Ciudadela que está em frente a Plaza Independencia.
E o motivo das muralhas não estarem mais marcando a cidade é digno, uma vez iniciado o período das revoluções e batalhas pela independência do Uruguay, essas muralhas representavam o domínio militar, politico e econômico do Império Espanhol na vida das pessoas, logo derrubá-las simbolizava um rompimento.
Quando as muralhas finalmente caíram, um jornal em 1829 publicou uma matéria que dizia: "Finalmente desaparecerá esse monumento que apenas oferecia à imaginação lembranças ameaçadoras e que era uma espécie de dique que tinha como barreira o progresso da população de Montevideo".
A história é muito mais rica e para quem ficou interessado em conhecer mais, encontrei um grupo que faz um tour percorrendo os rastros da muralha com guia, encenação e música! Mandei um e-mail e aguardo informações sobre custo e horários para disponibilizar aqui.
Sobre o passeio na rambla, o ponto negativo é que esse trecho está um pouco descuidado e o aspecto a principio pode não dar uma sensação de segurança.
No final de semana fica cheio de famílias na pracinha em frente ao Dique Maua, fomos muitas vezes com câmera e minha eterna cara de turista, ninguém nunca incomodou nem tivemos qualquer tipo de problema, sempre passavamos um lindo fim de tarde.
Muro colorido do Dique Maua
Abraço! ;)
P.S.: responderam meu e-mail e a informação é que o tour é realizado apenas no primeiro sábado de cada mês. O passeio tem duração de aproximadamente 2h e custa 250 pesos uruguaios por pessoa.
A atividade começa em Las Bóvedas (Rambla portuária y Juan Carlos Gómez) e finaliza na Plaza España (em frente ao Templo Inglês).
Os tickets podem ser comprados no Espaço Cultural “Al Pie de la Muralla” (Bartolomé Mitre 1464) de terça a sexta das 9h às 15h ou aos sábados a partir das 10h.

















